Em coletiva de imprensa realizada nesta quarta-feira (29), o secretário de Segurança Pública do Rio de Janeiro, Victor dos Santos, afirmou que todos os mortos durante a megaoperação nos complexos do Alemão e da Penha eram integrantes do Comando Vermelho (CV). Segundo ele, os únicos inocentes que perderam a vida foram os quatro policiais que morreram em confronto.

A ação, considerada a mais letal da história do estado, começou na madrugada de terça-feira (28) e já contabiliza 119 mortos e mais de 80 presos. De acordo com as autoridades, o objetivo era conter o avanço territorial da facção na região.

Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil
Dezenas de corpos foram levados por moradores para a Praça São Lucas, na Penha, zona norte do Rio

Questionado sobre os critérios que embasaram a classificação dos mortos como criminosos, o secretário explicou que a operação foi planejada para evitar confrontos em áreas residenciais e concentrar o cerco na mata da Serra da Misericórdia, entre o Alemão e a Penha.

“Quando se faz essa filtragem, diminui a chance de haver algum inocente na área de mata. Até pelo horário [5h30, 6h30] dificilmente um trabalhador estaria numa mata fechada, a não ser que estivesse a serviço da organização criminosa”, afirmou.

A Polícia Civil e a Polícia Militar informaram que a maior parte dos corpos recolhidos pelos moradores estava com roupas camufladas e armamento pesado, o que reforçaria a ligação com o Comando Vermelho.

“Não é mais segurança pública. É guerra”

O secretário da Polícia Civil, Felipe Curi, também comentou sobre o cenário enfrentado no Rio e classificou a situação como um conflito de guerra. “O que enfrentamos hoje não é mais uma questão de segurança pública. É guerra”, declarou.

Sem anúncio no momento

Ele ainda destacou que o fato de alguns mortos não terem antecedentes não significa que eram inocentes. “O Rio já mostrou que há criminosos com longa trajetória no crime, mas sem ficha criminal.”

De acordo com as autoridades, a ação foi planejada por mais de um ano e atingiu seus objetivos, com o cerco aos suspeitos sendo realizado por equipes que avançaram pela mata para impedir a fuga.

Investigação sobre irregularidades

A Polícia Civil instaurou um inquérito para investigar denúncias de que moradores teriam removido armas e fardamentos de alguns mortos antes da chegada das equipes periciais, o que pode caracterizar fraude processual.

Enquanto os números oficiais ainda estão sendo atualizados, relatos de moradores indicam mais de 70 corpos retirados da mata desde a madrugada desta quarta-feira. A Secretaria de Segurança informou que os dados definitivos só serão divulgados após a conclusão das perícias.

A megaoperação reacendeu o debate sobre o uso da força em comunidades do Rio e levantou questionamentos sobre o limite entre o combate ao crime e possíveis abusos nas ações policiais.