Durante muito tempo, a ciência apontou as placas de proteínas defeituosas como principais responsáveis pelo avanço do Alzheimer. Porém, uma pesquisa conduzida pela Universidade Purdue, nos Estados Unidos , sugere que a gordura acumulada nas células de defesa do cérebro também exerce papel central no desenvolvimento da doença.

Os cientistas observaram que a microglia — células imunológicas encarregadas de limpar resíduos do sistema nervoso central — perde eficiência quando está sobrecarregada de lipídios. Essa falha de funcionamento contribui para o aumento das placas de beta-amiloide, uma das marcas do Alzheimer.

O estudo, divulgado em 10 de junho na revista Immunity, mostrou que as microglias localizadas próximas às placas acumulam o dobro de gordura em comparação às que estão mais afastadas. Nesse estado, a capacidade de remover proteínas tóxicas cai em até 40%.

De acordo com o químico Gaurav Chopra, líder da investigação, o excesso de lipídios não deve ser visto apenas como um efeito colateral, mas como parte do processo que impulsiona a degeneração cerebral. “Quando essas células ficam carregadas de gordura, deixam de agir como deveriam e o equilíbrio do cérebro se rompe”, explicou em nota.

Os pesquisadores também identificaram a enzima DGAT2 como responsável por redirecionar ácidos graxos para o armazenamento em gordura. Esse processo, que deveria ser temporário, se intensifica com a progressão da enfermidade, resultando na paralisação da microglia.

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