A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) informou que o El Niño já está estabelecido no Oceano Pacífico e tem 81% de chance de atingir a categoria de “muito forte” entre outubro e dezembro de 2026. A agência também aponta 97% de probabilidade de o fenômeno continuar até o início de 2027.
O aquecimento das águas do Pacífico avançou rapidamente nas últimas semanas. O índice Niño-3.4, principal referência usada pelos cientistas, chegou a +1,2°C, enquanto regiões próximas à costa da América do Sul já registram +2,7°C acima da média.
No Brasil, o El Niño costuma provocar mais chuvas no Sul, aumentando o risco de temporais, granizo e enchentes, e tempo mais quente e seco em partes do Norte e Nordeste, com possibilidade de estiagem e queimadas.
Além disso, os cientistas identificaram aumento do calor acumulado abaixo da superfície do oceano, impulsionado por uma onda Kelvin, fator que favorece o fortalecimento do fenômeno.
Impactos esperados no Brasil
O El Niño deve provocar mais chuvas e temporais no Sul, enquanto Norte e Nordeste podem enfrentar estiagem, calor intenso e aumento do risco de queimadas. No Sudeste e Centro-Oeste, a tendência é de temperaturas acima da média e irregularidade nas chuvas durante o inverno e a primavera.
Agronegócio: riscos e oportunidades
Especialistas recomendam que produtores rurais revisem suas estratégias de gerenciamento de riscos e avaliem se as coberturas contratadas continuam compatíveis com os custos atuais de produção.
No Sul, o excesso de chuva e o granizo podem afetar a produtividade e a qualidade das safras. Já no Norte e Nordeste, a principal preocupação é a estiagem.
Por outro lado, um estudo do Santander indica que episódios de El Niño historicamente favorecem as safras de soja e milho no Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná, devido ao aumento das chuvas durante o ciclo de verão.
O que dizem os especialistas
“Eventos mais intensos aumentam a probabilidade de determinados impactos ocorrerem, mas não garantem que eles acontecerão com a mesma intensidade em todas as regiões.”
O cenário de julho reforça a expectativa de um dos episódios de El Niño mais relevantes das últimas décadas, exigindo monitoramento constante de autoridades, produtores rurais e da população diante do aumento da probabilidade de eventos climáticos extremos nos próximos meses.