Política

Antônio Palocci diz a Moro que está disposto a revelar ‘nomes'

O ex-ministro está preso desde setembro do ano passado, em Curitiba, na deflagração da 35ª fase da Operação, batizada de Omertà.

SUYNARA OLIVEIRA

- atualizado

Ao finalizar seu depoimento de cerca de duas horas nesta quinta-feira (20), diante do juiz federa Sérgio Moro, o ex-ministro dos governos Lula e Dilma, Antônio Palocci, afirmou que está à disposição da Justiça para “falar sobre tudo”. Palocci disse mais especificamente, que pode entregar fatos, “com nomes, endereços e operações de interesse da Lava Jato”.

“Fico à sua disposição. Todos os nomes que optei por não falar aqui por sensibilidade da informação estão à sua disposição para o dia que o senhor quiser. E se o senhor estiver com agenda muito ocupada e determinar uma pessoa, eu imediatamente apresento todos esses fatos, com nome, endereço, operações realizadas e coisas que certamente vão ser do interesse da Lava Jato, que realiza uma investigação de importância”, afirmou o petista

Palocci acrescentou ainda que as informações podem abrir um “caminho” que pode render mais um ano de trabalho a Moro. “Mas um trabalho que faz bem ao Brasil”, completou.

Essa declaração de Palocci, acontece em meio aos rumores de que ele estaria negociando uma delação premiada com a força-tarefa da Operação Lava Jato.

De acordo com a Veja, Palocci deu sinais do que pretende contar aos investigadores. Citou, por exemplo, uma “grande personalidade do sistema financeiro” que lhe procurou para falar sobre recursos de campanha em nome de uma autoridade do primeiro escalão do governo.

  • Foto: Cassiano Rosário/Futura Press/Estadão ConteúdoAntonio Palocci Antonio Palocci

O petista disse também a Moro que não poderia revelar os nomes por estar em uma audiência pública. “Mas, em sigilo, eu lhe falo a hora que o senhor quiser”, afirmou.

Também deu a entender que tem conhecimento de irregularidades praticadas em diversos setores da economia do país e ironizou o que chamou de cenário atual de que todos os governos, [inclusive o do qual ele participou], trabalharam só em “função da Odebrecht”.

O ex-ministro está preso desde setembro do ano passado, em Curitiba, na deflagração da 35ª fase da Operação, batizada de Omertà.

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