Política

Temer e Aécio agiam para impedir Lava Jato, diz Janot

O STF determinou abertura de inquérito para investigar Temer, Aécio, além do deputado afastado Rodrigo Rocha Loures.

SUYNARA OLIVEIRA

- atualizado

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, afirmou que o presidente Michel Temer e o senador afastado Aécio Neves (PSDB-MG) agiram "em articulação" para impedir o avanço das investigações da Operação Lava Jato.

A afirmação do procurador está na decisão do ministro Edson Fachin, relator da operação no Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou a abertura de inquérito para investigar Temer, Aécio e o deputado afastado Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR), que foi citado no acordo de delação de executivos da JBS, Joesley e Wesley Batista. A decisão foi divulgada nesta sexta (19).

  • Foto: Dida Sampaio/Estadão ConteúdoRodrigo JanotRodrigo Janot

"Além disso, verifica-se que Aécio Neves, em articulação, dentre outros, com o presidente Michel Temer, tem buscado impedir que as investigações da Lava Jato avancem, seja por meio de medidas legislativas, seja por meio de controle de indicação de delegados de polícia que conduzirão os inquéritos", afirma Janot.

"Desta forma, vislumbra-se também a possível prática do crime de obstrução à Justiça", completa o procurador-geral da República.

No pedido de investigação sobre Temer e Aécio, a procuradoria afirma que o tucano teria "organizado uma forma de impedir que as investigações [da Lava Jato] avançassem por meio da indicação de delegados que conduziriam os inquéritos, direcionando as distribuições."

Relembre o caso

Os empresários Joesley e Wesley Batista, donos da JBS realizaram acordo de delação com PRG no final de março. Entre abril e maio, os dois prestaram depoimentos. O negociador da delação foi o diretor jurídico da JBS, Francisco Assis da Silva, que depois também virou delator.

Os dois disseram na delação à PGR que gravaram o presidente Michel Temer dando aval para comprar o silêncio do deputado cassado e ex-presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), depois que ele foi preso na Operação Lava Jato.

Joesley também entregou uma gravação à PGR na qual o senador Aécio Neves (MG), presidente do PSDB, é gravado pedindo ao empresário R$ 2 milhões. No áudio, com duração de cerca de 30 minutos, o presidente nacional do PSDB justifica o pedido dizendo que precisava da quantia para pagar sua defesa na Lava Jato.