O Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas ( GAECO ), do Ministério Público do Maranhão, denunciou 15 pessoas por crimes de lavagem de capitais e organização criminosa no âmbito da segunda fase da Operação Cela 03 . A denúncia é desdobramento de investigações iniciadas em agosto de 2024 contra integrantes da facção Bonde dos 40, com atuação nos estados do Maranhão e Piauí.

A denúncia foi assinada pelos promotores Tharles Cunha, Raphaell Bruno e Francisco Fernando nessa segunda-feira (15).

A primeira fase da operação foi deflagrada em 12 de agosto de 2024, a partir de um Procedimento Investigatório Criminal. Na ocasião, um aparelho celular apreendido com Marion de Oliveira da Silva, apontado como uma das principais lideranças da facção, revelou uma série de elementos probatórios que motivaram a instauração de um novo procedimento, que desencadeou a segunda fase da operação.

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Segunda fase da Operação Cela 03

Com autorização judicial, o conteúdo do celular foi analisado e, aliado a relatórios de inteligência financeira do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), especialmente o RIF nº 112947, permitiu ao Gaeco identificar um sofisticado esquema financeiro e logístico usado para sustentar as atividades ilícitas da organização criminosa.

Diante das provas reunidas, o Ministério Público representou por diversas medidas cautelares, incluindo prisões preventivas, buscas e apreensões e indisponibilidade de bens. A Vara Colegiada deferiu os pedidos, culminando na deflagração da segunda fase da Operação Cela 03, com cumprimento dos mandados no último dia 22 de outubro de 2025.

Estrutura criminosa

As investigações apontam que a organização tinha como foco principal o tráfico de drogas e o comércio ilegal de veículos furtados ou roubados, além de manter esquemas complexos de lavagem de dinheiro, inclusive, em aliança com outros grupos criminosos especializados em crimes patrimoniais.

Sem anúncio no momento

No topo da hierarquia estava Marion de Oliveira da Silva, responsável pelo comando geral e pela coordenação financeira da facção. Ele contava com o apoio direto de Cleyson Ramon de Sousa Carvalho, conhecido como “Cleitim”, e de Francisca Darlane Gonçalves Sousa, que atuavam na articulação interna e no controle do fluxo de caixa da organização, garantindo o cumprimento das ordens emitidas de dentro do sistema prisional, fato que denominou a Operação Cela 03.

Núcleos de atuação

Um dos núcleos diretamente ligados a Marion era composto por Diego Henrique Sousa Silveira, conhecido como “Diego Neguim”, Francisco Vitor de Sousa, o “Vitim”, e Maria Luíza Araújo Rodrigues. Esse grupo era responsável por roubos, tráfico de drogas, comércio ilegal de armas e lavagem de valores obtidos com crimes violentos.

Foto: Divulgação/Ascom
Operação Cela 03 do GAECO-MA

Outro núcleo reunia Charles da Silva Albuquerque, Taynara Pereira Cavalcante, Nadjakson da Silva Carvalho e Kelly Monique Coelho da Silva, que atuavam em uma rede interestadual especializada em crimes patrimoniais, sobretudo, no comércio de veículos roubados. Segundo o Gaeco, esse grupo mantinha uma aliança estratégica com o braço do Bonde dos 40 liderado por Marion, utilizando a estrutura da facção para ocultar e escoar valores ilícitos.

Ligado a Francisca Darlane Gonçalves Sousa, havia ainda um núcleo formado por Mardônio José Alves Carvalho e Francisco Francilonde Oliveira Sousa Júnior, responsável pela movimentação, dissipação e lavagem de grandes quantias provenientes do tráfico de drogas.

Lavagem de dinheiro e agiotagem

A investigação também identificou um núcleo especializado em lavagem de capitais e conexão com a prática de agiotagem, composto por Cristian Camilo Vargas Echeverry, German Adolfo Gomez Restrepo e Francianor Alves de Sousa. De acordo com o Gaeco, o grupo utilizava contas de passagem, triangulações financeiras injustificadas e a empresa M&G, pertencente a German Adolfo, para dar aparência de legalidade aos recursos ilícitos.

Segundo relatório técnico do Coaf, o esquema movimentou mais de R$ 1 milhão, financiou diretamente lideranças do Bonde dos 40 e utilizou empresas de fachada e empréstimos ilegais para “branquear” o dinheiro obtido com o crime.

Rapidinhas

Mardônio José Alves Carvalho já foi condenado a 9 anos de cadeia por tráfico

O juiz Rogério Monteles da Costa, da 1ª Vara Criminal de Timon, condenou nove pessoas a 09 anos de cadeia pelos crimes de tráfico de drogas e associação para o tráfico no âmbito da Operação Beira da Linha, deflagrada na região da “Beira da Linha”, no bairro Guarita, em Timon. Entre os alvos está Mardônio José Alves Carvalho .

Conforme a decisão do dia 13 de agosto de 2025, o processo se deu a partir de um inquérito policial que desbaratou duas ações realizadas em 2019 pelo DENARC, coordenado pelo delegado Ricardo Herlon. No dia 1º de abril, os acusados foram flagrados em um pequeno casebre de taipa onde eram preparados, armazenados e vendidos entorpecentes. Na ocasião, foram apreendidos aproximadamente 180g de crack, 54g de cocaína e 100g de maconha.

Foto: Reprodução/WhatsApp
Mardônio José Alves Carvalho

Já em 23 de abril, no mesmo local, foram encontrados cerca de 950g de crack, além de uma balança de precisão e R$ 69,00. As investigações apontaram que o grupo atuava de forma estruturada e permanente na comercialização de drogas.

O magistrado destacou que as defesas não conseguiram afastar a consistência das provas produzidas durante a investigação e a instrução processual. Segundo a sentença, depoimentos de policiais, apreensões e documentos comprovaram a materialidade dos crimes e a participação dos acusados, atingindo o “juízo de certeza necessário para a condenação”.

*** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do GP1