O Ministério Público do Piauí denunciou 43 pessoas pelos crimes de estelionato eletrônico e organização criminosa, acusadas de aplicarem golpes contra clientes da Humana Saúde . O esquema foi desarticulado durante a Operação Indébito, deflagrada no último dia 20 de agosto pela Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática (DRCI), da Polícia Civil do Piauí.

A denúncia foi assinada pelo promotor de Justiça, Marcelo de Jesus Monteiro Araújo, em 17 de setembro de 2025.

Foto: Marcelo Cardoso/GP1
Humana Saúde em Teresina

O representante ministerial acompanhou o relatório policial, produzido pela Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática, que desmontou uma sofisticada fraude eletrônica, de abrangência nacional, consistente na criação e utilização de websites e perfis falsos, em nome principalmente da operadora de plano de saúde Humana Saúde. Por meio desse artifício, os criminosos aplicavam o chamado golpe do falso boleto contra vítimas de diversos estados do Brasil, incluindo o Piauí, onde fizeram a maior parte das vítimas.

Como funcionava o esquema

O grupo possuía tarefas distintas na organização criminosa. Um dos alvos, identificado como Felipe dos Santos Freitas, foi preso. Ele é apontado pela Polícia Civil como a pessoa responsável por criar os sites, com características semelhantes ao site oficial das operadoras de planos de saúde e de financeiras, onde as vítimas buscavam informações para emissão dos boletos nas páginas na internet que reproduziam, com elevado grau de semelhança, o layout e as funcionalidades do site oficial, a exemplo da Humana Saúde.

O objetivo era induzir ao erro consumidores que buscavam a emissão de segunda via de boletos para quitação do plano de saúde.

A autoridade policial explicou que as vítimas, ao acessarem as páginas fraudulentas, eram direcionadas a canais de atendimento via aplicativos de mensagens, como o WhatsApp, onde eram enviados boletos bancários falsificados.

Sem anúncio no momento

Após efetuarem o pagamento, as vítimas acreditavam estar com seus planos devidamente regularizados. Todavia, ao tentarem utilizar os serviços contratados, eram surpreendidas com a informação de que havia pendências, ou então recebiam notificações de inadimplência emitidas pela empresa.

Áudios obtidos pelo GP1 revelam a atuação dos criminosos

De acordo com os autos, o grupo investigado tinha atuação articulada e hierarquizada, dividida em diferentes núcleos espalhados pelos estados do Piauí, São Paulo, Paraíba, Rio de Janeiro e Mato Grosso do Sul.

O GP1 obteve acesso a diálogos entre os investigados, áudios obtidos por meio da quebra de sigilo telefônico, após autorização do Poder Judiciário.

Em um dos áudios, um dos golpistas afirma que a vítima, cliente Humana Saúde, iria perceber que havia caído em um golpe somente após ser cobrada pela empresa prestadora do serviço, que entraria em contato, posteriormente, cobrando o valor da parcela do plano de saúde.

Ouça o áudio abaixo:

Em outra troca de mensagens, um dos investigados fala que seria necessário o número do contrato de financiamento da BV Financeira, para que eles tivessem acesso ao valor da parcela do contrato e demais informações, como saldo devedor, por exemplo.

Ouça o áudio:

Rapidinhas

Polícia faz extração de dados dos celulares dos investigados

As investigações da Polícia Civil serão ampliadas, com a apreensão de aparelhos celulares e demais dispositivos eletrônicos encontrados durante o cumprimento das ordens judiciais ocorrido no dia 20 de agosto, por ocasião da deflagração da Operação Indébito.

Os investigadores estão debruçados em uma vasta documentação, que está sendo analisada e será utilizada para aprofundar futuras investigações.

DHPP intensifica buscas a membros do Bonde dos 40 foragidos de operação

O DHPP intensificou as buscas por Jorge Luís de Sousa da Silva, conhecido como Jorginho, apontado como um dos executores do assassinato de Jad Rubens Barros de Sousa, ocorrido no Rodoanel de Teresina, em janeiro deste ano.

Foto: Reprodução
Jorge Luís de Sousa da Silva

Na manhã dessa quarta-feira (24), ocasião em que foi deflagrada operação para cumprir 6 mandados de prisão, ele e outros três alvos não foram localizados. Seu advogado chegou a ir até a sede do DHPP, a fim de buscar informações sobre o veículo do acusado, que foi deixado para trás, durante uma perseguição com policiais do departamento, no bairro São Pedro.

*** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do GP1