A Coluna teve acesso, com exclusividade, à relação completa dos investigados na Operação Chip Falso , deflagrada na última terça-feira (15) pela Polícia Civil do Piauí para desarticular uma organização criminosa especializada em fraudes eletrônicas por meio da transferência ilegal de linhas telefônicas.
A ofensiva foi coordenada pelo Departamento de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DRCC) e revelou um esquema sofisticado que fazia vítimas em diversos estados brasileiros. Até o momento, 10 pessoasjá foram presas, mas a investigação aponta 15 alvos nesta primeira fase.
Confira a lista completa dos investigados
Mayson de Tácio Freire Ferreira
Ronilson Ferreira Santana
Jorge Rafael Gomes da Silva
Nataniel Felipe de Morais Maciel
Diego Wanderson Rego de Oliveira
Adalberto Monteiro da Silva
Gustavo Igor Sousa Silva
Matheus Silva Moraes
Manoel Cícero da Paz Filho
Raylson Feitosa de Oliveira
Rosana Rodrigues da Silva
Lucas Felipe dos Santos Sousa
Adail Nonato dos Santos Filho
Erika Kyara Negreiros Lima
Normando Viana do Nascimento
Casa era usada para recrutar pessoas e aplicar as fraudes
As investigações identificaram um imóvel em Teresina que funcionava como uma verdadeira base operacional da organização criminosa.
No local, pessoas eram convencidas a fornecer documentos pessoais, CPF e realizar a biometria facial. Com essas informações, os criminosos conseguiam burlar os sistemas das operadoras de telefonia e transferir ilegalmente linhas telefônicas de vítimas espalhadas pelo país.
Segundo a Polícia Civil, há vítimas identificadas nos estados do Rio de Janeiro, São Paulo e Santa Catarina. Um detalhe que chamou a atenção dos investigadores: o grupo promovia festas para atrair interessados em fornecer seus dados. As pessoas eram pagas para emprestar seus dados e fazer a biometria facial. Depois disso, a linha telefônica da verdadeira vítima era transferida sem que ela percebesse", explicou.
Como funcionava o golpe
A organização utilizava a fraude conhecida como SIM Swap, que consiste na transferência ilegal da linha telefônica da vítima para um chip controlado pelos criminosos. Com o domínio do número, o grupo conseguia receber códigos de autenticação enviados por bancos e aplicativos, abrindo caminho para diversos crimes, entre eles:
- invasão de contas bancárias;
- clonagem de WhatsApp;
- golpes do falso advogado;
- golpe do falso parente;
- compras fraudulentas com cartões de crédito;
- invasão de redes sociais e outras plataformas digitais.
Segundo as investigações, muitas vítimas só percebiam o golpe quando perdiam completamente o sinal do celular.
Rapidinhas
Mais de 100 pessoas serão intimadas
A investigação também alcançou dezenas de pessoas que, embora não integrem formalmente a organização criminosa, são suspeitas de terem contribuído para o funcionamento do esquema.
Conforme revelou Humberto Mácola à Coluna, mais de 100 pessoas serão intimadas por terem cedido documentos, nomes e biometria facial utilizados nas fraudes.
Esses investigados poderão responder criminalmente conforme o avanço das investigações.
Ex-funcionária continua foragida
Entre os principais alvos da operação está Rosana Rodrigues da Silva, ex-funcionária de uma operadora de telefonia. Ela é apontada pela Polícia Civil como peça-chave para o sucesso das fraudes e continua foragida.
As equipes seguem em diligências para localizá-la.
Novas fases da operação
A Polícia Civil já trabalha com a possibilidade de novas fases da Operação Chip Falso.
Além da identificação de outros integrantes da associação criminosa, as investigações avançam para rastrear o destino do dinheiro obtido com os golpes. Os envolvidos poderão responder por crimes como estelionato, associação criminosa, invasão de dispositivos informáticos e, conforme o aprofundamento das apurações, lavagem de dinheiro.
*** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do GP1