“Teresina está com um rombo”. A frase, repetida como um mantra desde o primeiro dia de gestão, virou o bordão oficial do prefeito Sílvio Mendes (UB-PI). É o álibi perfeito: enquanto o discurso da herança maldita continua ecoando, a população enfrenta filas em UBSs sem medicamentos, sem insumos e, às vezes, sem teto. O discurso é robusto, mas a realidade é frágil.
O prefeito, que durante meses tratou o nome de Dr. Pessoa como um fantasma conveniente, parece ter se acostumado demais à sombra do antecessor. O problema é que, quase um ano depois de assumir o comando da capital, não há mais rombo que justifique a falta de rumo.
A Fundação Municipal de Saúde repete o enredo conhecido: diz ter recebido uma rede em estado crítico, mas garante planos, licitações e emergências que, curiosamente, nunca chegam à ponta. Enquanto isso, relatórios do CRM-PI mostram uma Teresina doente e não apenas nas enfermarias. A cidade sofre com a falta de medicamentos básicos, estruturas deterioradas e gestão anestesiada.
Em bairros como Monte Alegre, Parque Ideal e Todos os Santos, as unidades básicas são retratos perfeitos de uma gestão que vive de promessa e sobrevive de justificativa. Quando falta sulfato ferroso para gestantes e o espéculo vaginal vira artigo de luxo, não é mais um problema de herança: é de prioridade.
No plenário da Câmara, o cenário se repete: a base governista, liderada por Bruno Vilarinho , insiste na narrativa da transparência e do diálogo. Fala-se em respeito aos vereadores, em debate nas comissões e em prestação de contas. Palavras bonitas, enquanto a cidade espera sentada por remédios e serviços básicos.
Mas a cereja do bolo é o novo movimento do prefeito: um empréstimo de R$ 435 milhões mais um, entre tantos. Em tese, para investir. Na prática, para tapar buracos que parecem se multiplicar mais rápido que os consertos. É o tipo de gestão que acredita que planilha resolve o que a política estragou.
Agora, diante de um déficit projetado em mais de R$ 200 milhões para 2025, o prefeito anuncia cortes, reuniões, planos e diagnósticos. Tudo soa técnico, mas o remédio é o mesmo: protelar decisões com a desculpa do passado.
A pergunta que ecoa nos corredores, e que o próprio Sílvio evita responder, é simples: até quando Dr. Pessoa continuará governando Teresina por procuração?
Porque, convenhamos, culpar o antecessor é fácil; difícil é curar a cidade que já cansou de ouvir sobre o rombo enquanto sente o vazio na pele.
*** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do GP1