Prometer é fácil. Cumprir, como sempre, é outra história. Sílvio Mendes , quando pediu o voto do povo de Teresina, vendeu o sonho de um transporte público digno, moderno e humano. Falou em eficiência, integração e respeito ao cidadão. Quase um ano depois, os ônibus continuam sucateados, lotados e, o que é pior, a paciência da população se desfez. O prefeito parece ter esquecido que a confiança popular não anda de carro oficial, anda, quando consegue, nos coletivos que ele prometeu consertar.
Fontes ligadas a Sílvio, ouvidas pela coluna, repassaram que já foi ouvida nos corredores da prefeitura a seguinte 'piada' do próprio prefeito: “ Não vejo ônibus lotados no fim de semana. ” De fato, não vê e nem poderia. O cidadão comum, este sim, enfrenta o sistema com a resignação de quem sabe que reclamar não adianta. Esta colunista foi às ruas e ouviu quem realmente depende do transporte público. As entrevistas, feitas em diferentes pontos da cidade, revelam um sentimento comum: o de frustração.
Um estudante contou que precisa acordar às cinco da manhã para chegar ao trabalho às oito, porque se sair com menos de uma hora de antecedência, se atrasa. Uma senhora, exausta após esperar mais de uma hora no ponto, riu sem graça e chegou a me questionar porque o meu foco era os ônibus se “nada em Teresina está bom”, e garantiu que não votaria em Sílvio novamente .
O mais curioso é que o humor do povo, antes cheio de esperança, agora é de ironia. “Resolveram o problema, não tem mais ônibus”, brincou um jovem à espera de um coletivo. Já um trabalhador, visivelmente irritado, foi mais direto: disse que tudo o que o prefeito prometeu “ foi conversa fiada. ”
É o sarcasmo de quem percebeu que o discurso da mudança virou “conversa fiada”. E quando a promessa se transforma em piada, o governante perde algo que não se recupera facilmente: a credibilidade.
Sílvio Mendes pode até achar graça da crise que jurou resolver, mas o riso que ecoa nas ruas de Teresina é outro: o da descrença e do cansaço. A população já entendeu que promessa de campanha não paga passagem e, muito menos, põe ônibus para rodar.
*** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do GP1