O deputado estadual Georgiano Neto entrou em campo para tentar recompor o entendimento entre PSD e MDB após o desgaste provocado pelo fim da chamada fusão cruzada nas chapas proporcionais. O movimento não é casual. No atual desenho político do Piauí, alianças desse tipo funcionam como engrenagens eleitorais: quando uma falha, todo o mecanismo de distribuição de forças precisa ser recalculado. Georgiano, que atua como um dos principais articuladores do PSD no estado, tenta evitar exatamente esse efeito dominó.
Nos últimos dias, o parlamentar apresentou a lideranças do MDB um diagnóstico político do cenário. A interlocução incluiu o líder emedebista na Assembleia, João Mádison, e o presidente da Casa, Severo Eulálio. A tese levada à mesa é simples: a ruptura enfraquece o desempenho proporcional das duas siglas e abre espaço para que outras forças avancem no cálculo das cadeiras. Em outras palavras, o custo político da separação pode ser maior do que o desconforto momentâneo das negociações.
Ao mesmo tempo, Georgiano trabalha com uma estratégia de contenção de danos. Caso a recomposição não prospere, o PSD já admite lançar chapas próprias tanto para a Assembleia Legislativa quanto para a Câmara dos Deputados. Internamente, o cálculo é de que a legenda teria musculatura para montar uma nominata competitiva, com potencial para eleger até quatro deputados federais. O discurso público continua sendo de recomposição, mas a preparação para um cenário de ruptura já começou.
Do outro lado, as lideranças da base governista tratam de esfriar a crise. O presidente estadual do PSD, Júlio César, fez questão de reafirmar que o partido manterá apoio ao senador Marcelo Castro na disputa pelo Senado, dentro da composição política respaldada pelo governador Rafael Fonteles. Castro, por sua vez, sustenta que a dobradinha permanece intacta. Esse tipo de declaração costuma ter menos a função de encerrar o problema e mais a de ganhar tempo até que os interesses em jogo encontrem um novo ponto de equilíbrio.
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