Quando pensamos no sofrimento do idoso, quase sempre imaginamos dores nos joelhos, na coluna, nas articulações. Mas existe uma dor muito mais profunda, silenciosa e invisível: a dor de ser esquecido, de não ser mais chamado, de não participar, de não ser mais necessário.
Essa dor começa, muitas vezes, com algo que parece pequeno: a perda de força muscular.
Quando o idoso perde força, ele começa a andar mais devagar. Depois, passa a ter medo de cair. Em seguida, evita sair de casa. Para de ir à praça, à igreja, aos encontros com amigos. A família, por cuidado, começa a fazer tudo por ele. Aos poucos, ele deixa de decidir, de agir, de participar.
E, sem perceber, o idoso vai sendo colocado de lado.
Ele deixa de ser o avô que brinca com os netos e passa a ser aquele que fica sentado no canto.
Deixa de ser o pai que resolve as coisas e passa a ser “aquele que precisa de ajuda para tudo”.
Deixa de ser protagonista da própria vida e passa a ser espectador.
A perda de força muscular ( SARCOPENIA ) não rouba apenas a capacidade de caminhar. Ela rouba autonomia, identidade, autoestima e alegria.
Ela transforma um adulto cheio de história em alguém que se sente um peso, um incômodo, um fardo.
E essa sensação dói mais do que qualquer dor no joelho.
Um idoso forte é um idoso presente.
Presente nas conversas, nas decisões, nos passeios, nas risadas.
Presente na vida da família e da sociedade.
Por isso, fortalecer os músculos do idoso é muito mais do que prescrever exercícios. É devolver dignidade. É devolver voz. É devolver vida.
Dar força ao corpo do idoso é dizer a ele: “Você ainda importa. E muito.”
*** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do GP1