Durante décadas fomos levados a acreditar que vivemos em um sistema preocupado com a nossa saúde. Mas, quando observamos com mais atenção, percebemos uma contradição evidente: o mesmo sistema que fala em saúde é o que mais lucra com a doença.
A lógica é simples. Uma população ativa, que pratica atividade física regularmente e se alimenta de forma natural, adoece menos. Pessoas saudáveis precisam de menos remédios, menos consultas médicas, menos exames e menos tratamentos caros. Em outras palavras: geram menos lucro para uma enorme cadeia econômica que gira em torno da doença.
Por outro lado, uma população sedentária, que consome alimentos ultraprocessados, ricos em açúcar, gordura e sódio, tende a desenvolver com muito mais frequência doenças como obesidade, diabetes, hipertensão, problemas cardíacos e diversos outros distúrbios metabólicos. E cada uma dessas doenças movimenta bilhões em medicamentos, exames, procedimentos e tratamentos.
Não é por acaso que a indústria de alimentos ultraprocessados investe bilhões em marketing para tornar seus produtos irresistíveis, baratos e presentes em todos os lugares. Ao mesmo tempo, grande parte da população tem cada vez menos estímulo real para se movimentar. A rotina moderna empurra as pessoas para o sedentarismo: muito tempo sentado, excesso de telas e pouca atividade física.
O resultado é previsível: quanto mais sedentária e mal alimentada é a população, maior é o faturamento de diversos setores econômicos. A doença acaba se tornando um grande negócio.
Por isso, cuidar da própria saúde hoje é quase um ato de resistência. Praticar atividade física regularmente, priorizar alimentos naturais e evitar o excesso de produtos ultraprocessados é, na prática, quebrar a lógica de um sistema que lucra quando você adoece.
Ser ativo fisicamente e cuidar da alimentação não é apenas uma escolha individual de estilo de vida. É também uma forma de proteger sua autonomia, sua qualidade de vida e, principalmente, não se tornar apenas mais um número em uma indústria que fatura bilhões com a doença.
*** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do GP1