Durante muitos anos, mulheres diagnosticadas com câncer de mama recebiam a orientação de repousar e evitar esforços físicos. Hoje, a ciência mostra exatamente o contrário: a musculação terapêutica deve ser considerada uma das principais aliadas no tratamento e na recuperação dessas pacientes.

Foto: Arquivo pessoal/Demóstenes Ribeiro
Silvana Barbosa de Almeida teve câncer de mama e durante todo o tratamento a musculação foi um dos pilares do tratamento

O câncer de mama e seus tratamentos — como cirurgia, quimioterapia, radioterapia e hormonioterapia — provocam importantes perdas musculares, redução da força física, fadiga intensa, dores articulares, diminuição da autoestima e até quadros de depressão. É justamente nesse cenário que o treinamento de força passa a ter papel fundamental.

A musculação terapêutica ajuda a preservar e recuperar a massa muscular, melhora a capacidade funcional, diminui o cansaço e devolve autonomia para atividades simples do dia a dia. Muitas mulheres relatam que tarefas básicas, como levantar da cama, carregar bolsas ou subir escadas, tornam-se extremamente difíceis durante o tratamento. O fortalecimento muscular ajuda o corpo a enfrentar melhor essa fase.

Outro ponto extremamente importante é a prevenção e o controle do linfedema — inchaço que pode ocorrer no braço após cirurgias e retirada de linfonodos. Antigamente havia o medo de que musculação pudesse piorar o problema, mas estudos atuais mostram que exercícios resistidos, quando bem orientados, ajudam justamente a melhorar a circulação linfática e proteger a funcionalidade do membro afetado.

Além dos benefícios físicos, existe um impacto profundo na saúde mental. A mulher em tratamento contra o câncer muitas vezes sofre uma queda brutal na autoestima, sente medo, insegurança e perda da identidade corporal. A prática regular da musculação terapêutica melhora a disposição, reduz sintomas de ansiedade e depressão e devolve sensação de capacidade e controle sobre o próprio corpo.

Outro detalhe importante é que músculos ativos funcionam como verdadeiros órgãos produtores de substâncias anti-inflamatórias chamadas miocinas, que ajudam o organismo como um todo. A atividade muscular regular melhora o metabolismo, reduz inflamações e fortalece o sistema imunológico, algo extremamente importante durante o tratamento oncológico.

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A musculação terapêutica não significa treino pesado ou voltado para estética. Trata-se de um trabalho cuidadosamente planejado, respeitando a individualidade, o estágio do tratamento, as limitações físicas e o estado emocional de cada paciente. Por isso, o acompanhamento de profissionais qualificados é indispensável.

Hoje, a medicina e a ciência do exercício já entendem que combater o câncer não envolve apenas medicamentos e cirurgias. Envolve também devolver força física, independência, autoestima e qualidade de vida.

*** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do GP1