Nas últimas décadas, fomos bombardeados por mensagens que transformaram muitos alimentos naturais em verdadeiros vilões. A gordura da carne, os ovos, a manteiga e diversos outros alimentos que fizeram parte da alimentação humana por gerações passaram a ser vistos com desconfiança e medo.
Esse fenômeno, conhecido por muitos como "terrorismo nutricional", fez com que as pessoas passassem a enxergar a comida de verdade como um perigo, enquanto produtos industrializados e ultraprocessados eram frequentemente apresentados como opções mais modernas e saudáveis.
A carne, por exemplo, é uma excelente fonte de proteínas de alto valor biológico, ferro, zinco e vitaminas importantes para a saúde. Mesmo a gordura presente na carne pode fazer parte de uma alimentação equilibrada quando consumida com moderação e dentro de um padrão alimentar saudável. O problema nunca foi um único alimento isolado, mas sim o excesso calórico, o sedentarismo e o consumo exagerado de produtos ultraprocessados.
Enquanto muitas pessoas passaram a retirar alimentos tradicionais de suas mesas por medo, o consumo de alimentos industrializados aumentou de forma expressiva. Coincidentemente, foi nesse mesmo período que observamos uma explosão dos casos de obesidade, diabetes tipo 2 e outras doenças crônicas.
Precisamos aprender a diferenciar informação científica de alarmismo. Nenhum alimento isolado é responsável por todos os problemas de saúde, assim como nenhum alimento sozinho é capaz de garantir saúde perfeita. O segredo continua sendo o equilíbrio, a variedade alimentar e a preferência por alimentos minimamente processados.
Talvez esteja na hora de perder o medo da comida de verdade e voltar a desconfiar mais dos produtos que vêm em embalagens coloridas, com listas enormes de ingredientes que nossos avós sequer conseguiriam reconhecer.
A saúde não está em demonizar alimentos naturais. A saúde está em construir hábitos saudáveis que possam ser mantidos por toda a vida.
*** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do GP1