Durante décadas, fomos ensinados a ter medo do sol. É claro que a exposição exagerada, principalmente a ponto de causar queimaduras, faz mal e aumenta o risco de câncer de pele. Mas transformar o sol em um inimigo absoluto é uma visão incompleta.

A luz do sol é indispensável para a vida e exerce um papel fundamental na nossa saúde. Ela participa da produção de vitamina D, essencial para a saúde dos ossos e dos músculos, ajuda a regular o relógio biológico, melhora a qualidade do sono, favorece a produção de serotonina — neurotransmissor ligado ao bem-estar — e contribui para o funcionamento adequado do sistema imunológico.

Foto: Demóstenes Ribeiro
Demóstenes Ribeiro

Talvez a pergunta que devêssemos fazer seja: quem se beneficia quando as pessoas passam a acreditar que qualquer contato com o sol é perigoso? Existe um enorme mercado em torno da proteção solar e de produtos relacionados aos cuidados com a pele. Isso, por si só, não significa que as recomendações médicas estejam erradas, mas reforça a importância de analisar o tema com equilíbrio e senso crítico.

A ciência mostra que tanto a falta quanto o excesso de exposição ao sol podem trazer prejuízos. O risco maior está na exposição intensa e repetida, especialmente quando provoca queimaduras. Por outro lado, evitar completamente a luz solar também pode ser prejudicial.

O caminho mais inteligente não é viver com medo do sol, nem ignorar seus riscos. É aprender a se expor de forma moderada, respeitando os horários de maior intensidade e adotando medidas de proteção quando necessário.

O sol não é o inimigo. O excesso é. E decisões sobre saúde devem ser guiadas por evidências e equilíbrio, não pelo medo.

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*** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do GP1