O deputado Henrique Pires (MDB) decidiu romper o silêncio e com franqueza incomum denunciou publicamente o que classifica como uma ofensiva velada do PT sobre quadros do MDB que já estavam alinhados para disputar uma vaga na Assembleia Legislativa. A queixa não é trivial. Segundo o deputado, o PT desfruta de uma posição privilegiada na máquina governamental – "as melhores secretarias, os melhores espaços" – o que naturalmente converte o partido em polo de atração para quem busca viabilidade eleitoral. O problema, pontua Henrique Pires, não está na força natural do PT, mas na utilização dessa força para esvaziar partidos historicamente aliados. "Não é uma questão de assédios, são convites que não deveriam ser feitos", afirmou, dirigindo-se diretamente ao deputado Fábio Novo. A declaração revela uma fratura delicada: quando o aliado de hoje se torna o concorrente de amanhã, usando as ferramentas do poder compartilhado.

A concentração de poder em um único partido dentro de uma coalizão governista não é novidade na política brasileira. O que chama atenção, desta vez, é a coragem de um parlamentar da base em tornar pública a insatisfação. Henrique Pires tocou em um ponto sensível: se o objetivo é fortalecer ainda mais uma "chapa já muito forte", qual é o espaço real de crescimento para os demais aliados?

Foto: Lucas Dias/GP1
Deputado Estadual, Henrique Pires

A comparação final do deputado – citando China e Venezuela como exemplos de partido único – pode soar exagerada no calor do discurso, mas materializa um sentimento que certamente não é exclusivo do MDB: o desconforto de quem divide o palanque, mas não os frutos do poder.

A verdade é que alianças pressupõem reciprocidade – e concentração excessiva de poder tende a gerar ressentimentos que, cedo ou tarde, cobram seu preço. A questão que fica: até onde vai a lealdade quando o aliado de hoje disputa o mesmo eleitor de amanhã?

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*** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do GP1