Ao que parece, a gestão do prefeito Hailton Alves Filho transformou os perfis oficiais da Prefeitura de Oeiras em instrumentos de censura, só que agora, o Ministério Público está de olho. O que era um murmúrio nas redes sociais virou denúncia formal: a administração municipal estaria usando dinheiro público para calar críticos. A promotora Emmanuelle Belo não poderia ter sido mais clara: há indícios suficientes para investigar a truculência digital da prefeitura. O alvo? A página "Oeiras do Queima", que, pelo visto, incomoda tanto que mereceu denúncias à Meta (dona do Facebook e Instagram). A estratégia é velha conhecida: em vez de responder às críticas com transparência, a gestão prefere apagar, bloquear e criminalizar a oposição. Típico de quem não suporta o contraditório.

O mais absurdo é a hipocrisia. Enquanto o prefeito se diz defensor da "liberdade de expressão", sua equipe age como polícia virtual, identificando e silenciando quem ousa questionar. Dez dias é o prazo para Hailton Alves explicar quem comanda essa máquina de censura – se são servidores públicos ou marqueteiros de aluguel.

Foto: Divulgação/Ascom
Hailton Alves

A "Oeiras do Queima" é só a ponta do iceberg. Quantos outros perfis foram censurados? Quantos cidadãos tiveram seu direito à voz sufocado pelo poder público? O Ministério Público precisa investigar a fundo, porque se confirmada a prática, estamos diante de um caso escancarado de abuso de poder. A prefeitura não é página de influencer – é órgão público, pago pelo contribuinte, e deve tolerar (e responder a) críticas, não apagá-las.

Se o prefeito não apresentar respostas convincentes, a Justiça deve cobrar – e cobrar caro. Censura custa caro, e o preço deve ser pago não só com multas, mas com a responsabilização política de quem acha que rede social pública é território para banir adversários. Que a investigação sirva de lição: em democracia, quem cala o povo, cai.

*** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do GP1