O vereador Petrus Evelyn vem construindo sua trajetória política alicerçado no discurso da moralidade pública, uma bandeira que, em tese, exige coerência irrepreensível de quem a levanta. Mas, como diz a máxima, quem vive de lançar pedras não pode ter telhado de vidro. E o telhado de Petrus acaba de trincar. O cerne da questão está nos gastos de gabinete. Petrus paga R$ 6.750,00 mensais à empresa Conecthe Gestão (R A de O Pereira Conecthe Gestão) para serviços de "publicidade institucional". O valor sai da cota parlamentar de R$ 25 mil que cada vereador de Teresina dispõe mensalmente. Até aí, burocracia padrão. O problema é o DNA do contrato. A empresa pertence à nutricionista Ravena Arão de Oliveira Pereira, irmã do chefe de gabinete do vereador, Aristófanes Arão de Oliveira Pereira.
Em política, nem tudo o que é formalmente permitido é moralmente aceitável. E quando a publicidade institucional de um gabinete é entregue a uma empresa que, ao que tudo indica, foi criada sob medida para receber esses pagamentos com apenas um ano de aberta e todas as notas fiscais emitidas (12 no total) ao próprio gabinete, seu único cliente, o cheiro de conveniência fala mais alto que qualquer discurso de integridade.
A sabedoria popular ensina que quem constrói carreira explorando os erros dos outros precisa redobrar a vigilância sobre os próprios atos. Caso contrário, a moralidade proclamada vira apenas instrumento de marketing, não compromisso com a coisa pública.
Petrus se apresentou como uma espécie de paladino da moralidade, e agora vem à tona um quadro que exige explicação, transparência e, acima de tudo, coerência.
A política até suporta contradições; o eleitor, nem sempre.
*** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do GP1