A maioria das pessoas só pensa na coluna quando ela já está doendo. Antes disso, ela costuma ficar em segundo plano, atrás da rotina de trabalho, dos filhos, da casa. O problema é que esperar a dor aparecer para só então agir é, ao mesmo tempo, a estratégia mais comum e uma das menos eficientes.

A boa notícia é que existem hábitos simples, sem custo e sem nenhum equipamento especial, que ajudam a reduzir bastante o risco de dor nas costas, ou de uma dor antiga voltar a aparecer. Veja cinco deles, baseados em estudos científicos recentes.

Foto: Divulgação
Marcelle Furtado

1. Não passe o dia inteiro na mesma posição

O problema não é sentar. O problema é ficar horas seguidas sem mudar de posição. Pesquisas mostram que manter a mesma postura por muito tempo, principalmente sentado e curvado para frente, aumenta a pressão sobre os discos da coluna e cansa os músculos que sustentam as costas, o que eleva o risco de dor. Um estudo encontrou um risco de dor nas costas bem mais alto entre quem fica sentado de forma incorreta por longos períodos, comparado a quem se movimenta com frequência.

A solução é simples: levante, caminhe por alguns minutos e troque de posição ao longo do dia. Não existe uma postura perfeita que deva ser mantida o tempo todo. O que existe é a necessidade de variar, porque é a falta de movimento, e não a posição em si, que mais sobrecarrega a coluna.

2. Fortaleça o corpo todo, não apenas a coluna

Um corpo forte protege melhor a coluna. Isso porque outros grupos musculares, como pernas, quadril e abdômen, ajudam a distribuir o esforço das tarefas do dia a dia, como pegar peso ou ficar de pé por muito tempo, sem sobrecarregar apenas a região lombar.

Diversos estudos científicos confirmam esse efeito. Programas de exercícios voltados para o fortalecimento da região abdominal, do quadril e dos glúteos têm se mostrado eficazes para reduzir a dor e melhorar a função em pessoas com dor lombar. Fortalecer apenas a parte de trás do corpo não é suficiente: a evidência científica aponta que trabalhar a musculatura como um todo traz melhores resultados do que focar isoladamente em um único grupo muscular.

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3. Trate pequenas dores antes que elas se tornem crônicas

Esperar a dor passar sozinha é um hábito comum, mas pode custar caro. Quando uma dor aguda nas costas não é tratada logo no início, o corpo tende a desenvolver compensações e mudanças na forma de se mover que, mais adiante, tornam o tratamento mais difícil.

Estudos mostram que buscar orientação profissional logo nas primeiras semanas de dor reduz a chance de ela se tornar um problema crônico, além de diminuir custos com tratamentos, uso de remédios mais fortes e até cirurgias no futuro. Quanto mais cedo a causa da dor é identificada e tratada, maiores são as chances de uma recuperação completa.

4. Não dependa apenas de remédios

Medicamentos têm seu papel no controle da dor, especialmente nos momentos de crise, mas raramente resolvem a causa do problema. A fisioterapia atua de forma diferente: trabalha para restaurar o movimento, a força e a função do corpo, além de devolver a confiança para retomar as atividades do dia a dia sem medo.

Esse é justamente o ponto em que remédio e fisioterapia se complementam. Enquanto o medicamento alivia o sintoma no momento da dor, o trabalho de reabilitação muda o quadro a longo prazo, reduzindo a chance de novas crises

5. Faça da prevenção um hábito

Pense bem: você faz revisão do carro, leva o celular para manutenção, mas, normalmente, só lembra da coluna quando ela trava. Esse padrão de cuidar apenas depois que o problema aparece é um dos maiores motivos para a dor lombar voltar com tanta frequência.

Revisões científicas mostram que programas regulares de exercícios, mantidos mesmo depois que a dor já passou, reduzem significativamente o número de novas crises de dor nas costas. Ou seja: cuidar da coluna antes da dor aparecer é, na prática, muito mais fácil, mais barato e mais eficiente do que tratar depois que ela já voltou.

“A fisioterapia não serve apenas para quem já sente dor. Ela também ajuda a prevenir lesões, melhorar a qualidade do movimento e manter a coluna saudável por muitos anos.”

Quanto mais cedo você cuida do seu corpo, menor a chance de a dor limitar a sua vida. Pequenos hábitos, mantidos com constância, fazem toda a diferença.

*** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do GP1