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Nepotismo é bicho bom


(*) Deoclécio Dantas

Wellington Dias, lançando a senhora Rejane Dias na disputa por uma vaga na Assembleia Legislativa, e Ciro Nogueira, cuidando de deixar a senhora Iracema Portela em sua vaga, na Câmara Federal, não podem ser apontados como pioneiros do nepotismo no Piauí.
Há exatos 63 anos, o marechal Eurico Gaspar Dutra (1883/1974) ministrou aulas de nepotismo ao eleitorado piauiense. Usando o poder de presidente da República, Gaspar Dutra impôs ao Piauí o nome do seu genro Mauro Renault Leite como candidato - e foi eleito - à Câmara Federal.

Sem nunca ter colocado os pés em nosso Estado, Renault Leite teve seu nome citado em episódio lembrado pelo ex-governador Rocha Furtado, em seu livro de memórias, aqui lançado em dezembro de 1990.

Narra Furtado que, "Numa das maiores crises, em agosto de 1948, quando ocorreu um choque entre a Polícia Militar e um grupo de cangaceiros, no município de São Pedro, durante o qual vários deles foram feridos e dois mortos, a situação se tornou deveras grave. Pouco depois dessas ocorrências, chegou a Teresina o senador Matias Olímpio, presidente da UDN, que, na companhia do dr. Demerval Lobão, foi à nossa residência, fazer-me uma visita".

O ex-governador assinala que, "Depois de lhes expor o que se passava e contarmos as dificuldades do momento, o senador Matias Olímpio me disse que era portador de uma proposta que resolveria a situação e os problemas delas decorrentes. Essa proposta lhe teria sido transmitida pelo senador Joaquim Pires, que a teria recebido do professor Jurandir Pires Ferreira, que por sua vez, falava em nome do deputado Mauro Renault, genro do presidente Eurico Gaspar Dutra".

A proposta, recusada por Rocha Furtado, era para que ele, em troca de uma vaga de embaixador, em qualquer país da America Latina, renunciasse ao governo do Estado.
A lição de nepotismo deixada pelo presidente Gaspar Dutra foi aproveitada pelo maior líder popular da política piauiense nas décadas de 1970 e 1980. O engenheiro Alberto Silva colocou seu sobrinho José Silva em vaga de conselheiro do Tribunal de Contas e fez do seu filho Paulo Tavares deputado estadual e deputado federal.

O grande líder Alberto Silva elegeu seu filho Marcos para uma cadeira na Câmara Municipal de Teresina, e, ao depois, elegeu-o vice-prefeito da capital. Foi adiante, sempre respeitado e admirado pela multidão, indicando sua senhora para vaga de primeiro suplente no período em que foi eleito senador.

O inefável Alberto Silva só não acertou na prática do nepotismo quando não conseguiu eleger sua filha Susana para uma cadeira na Assembleia Legislativa, mas teve êxito quando apoiou a candidatura de seu sobrinho João Silva Neto para mandatos de deputado estadual.

Wellington Dias e Ciro Nogueira podem ir em frente, tranquilos, que o povão tem profundo respeito pelos políticos que cuidam bem de suas mulheres, filhos, filhas, genros, noras e netos.

(*) Deoclécio Dantas é jornalista
[email protected]

*** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do GP1

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