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A impunidade é que desanima


Zózimo Tavares (*)

A prisão de 30 pessoas na Operação Geleira da Polícia Federal, acusadas de desvio de recursos públicos, entre elas sete prefeitos e dois ex-prefeitos, estimulou a discussão sobre a punição (ou, mais especificamente, sobre a impunidade) de políticos e agentes públicos aos quais o povo delega as funções e atribuições de cuidar daquilo que é dele, povo.

A sociedade aplaude a ação da Polícia Federal e dos órgãos de fiscalização e de controle externo e interno, que montaram a Operação Geleira com a finalidade de coibir os desvios de recursos públicos, deter os acusados e aplicar a eles as penalidades previstas em lei. É o que poderá ocorrer ao fim do inquérito que a PF elabora com base nos documentos apreendidos, nos depoimentos dos envolvidos e nas outras informações que a instituição solicitou ou que chegam a ela via testemunhas.

A pergunta que todos se fazem é: vai haver mesmo punição? Ninguém, evidentemente, está aqui a defender prisão indiscriminada para prefeitos e outros gestores públicos. Mas, evidentemente, ninguém é ingênuo o bastante para supor que uma investigação da Polícia Federal, que demorou mais de dois anos para ser transformada em operação, não tenha elementos suficientes para apontar a culpa de um gestor público.

E, se alguém tem culpa, deve não apenas ser punido com cadeia, mas também ser obrigado a restituir ao erário público os recursos que desviou. É esta premissa que norteia o trabalho da Polícia Federal. Os delegados responsáveis pela Operação Geleira não escondem a preocupação com a conclusão o mais rápido possível do inquérito que apura a responsabilidade dos prefeitos, ex-prefeitos e outros presos na operação. E querem não apenas concluí-lo logo, mas fazer a coisa bem feita para dar elementos ao Ministério Público e à Justiça para que os envolvidos sejam efetivamente punidos.

É este o ponto a que quer se chegar aqui: punir os culpados é de fundamental importância para dar à sociedade a certeza de que não se trabalha em vão no enfrentamento da corrupção na esfera pública. O contrário - a não punição - colocará para todos a impressão desanimadora de que o crime compensou, mais uma vez. De que não adianta, os mal gestores, os corruptos, vão continuar fazendo o que bem entenderem com o dinheiro que é de todos.

Aí, vão transferir para o eleitor a responsabilidade de resolver a questão através do voto. E logo quem? O eleitor, que é apenas e tão somente uma peça nessa engrenagem toda. Peça facilmente manipulável, frise-se.

(*) Editor-chefe do Diário do Povo

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