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Governar é gerar riquezas


Deusval Lacerda de Moraes *

Imagem: Divulgação/GP1Clique para ampliarDeusval Lacerda de Moraes (Imagem:Divulgação/GP1)Deusval Lacerda de Moraes
Uma das funções precípuas dos governos modernos é promover políticas públicas com vistas a incentivar a geração de riquezas. No sistema capitalista que vivemos é perfeitamente factível os governantes adotarem diretrizes administrativas e econômico-fiscais para atraírem investidores produtivos para gerar emprego e renda, ou seja, movimentar a economia em escala como estímulo ao desenvolvimento. Nesse aspecto, muito se tem falado recentemente da desistência da implantação do parque industrial da Suzano Papel e Celulose na produção da matéria-prima por meio do plantio de eucalipto no Piauí que totalizariam investimentos da ordem de R$ 5 bilhões.

Mas quem perdeu com a saída da Suzano foi o Piauí. Porque a Suzano, por se tratar de conglomerado empresarial estruturado, superará os problemas mercadológicos internacionais e instalar-se-á em outro lugar gerando progresso. Assim, seria de bom alvitre que as autoridades estaduais fizessem o que estivessem ao alcance, ou melhor, oferecessem contrapartidas atrativas na malha logística, como infraestrutura de ramal ferroviário para escoamento da produção, para que a empresa ao retornar a normalidade econômico-financeira continuasse com o propósito de fincar raízes no Piauí, como antes acertado, porque aqui já estava em operações preliminares e o que aconteceu foi omissão para que a companhia continuasse com disposição de produzir no Estado.

No Piauí, incrivelmente, a sua classe política pouco importa com o incremento do setor produtivo, ela se interessa mesmo é na política pela política, isto é, no carreirismo desbragado. O sujeito se elege para certo mandato e no exercício do cargo, por se achar esperto, vai logo arranjar uma forma de fazer trampolim para no pleito seguinte galgar outro cargo eletivo de maior relevo.

Em contrapartida, em 2010, na eleição estadual, chegou ao Piauí o diretor de suprimentos de conhecida empresa de São Paulo para analisar a viabilidade de eventual instalação de planta fabril no Estado, e o dito diretor se dirigiu à Secretaria de Estado da Indústria e Comércio e lá não encontrou ninguém que tratasse do assunto, talvez por desarticulação do órgão ou devido à campanha eleitoral. Com insistência conseguiu cópia da Lei de Incentivos Fiscais do Piauí.

Evidente, ele nunca mais voltou ao Estado. Ainda exemplificando, na década de 1990 o Piauí perdeu a Grendene para Sobral/CE e sabemos da revolução que a empresa fez na economia daquela cidade. No início do ano 2000, perdemos a instalação da cervejaria Schincariol para Caxias/MA. Logo depois, até adesivo saiu dizendo que a Vale era nossa, mas a companhia Vale do Rio Doce ainda não funcionou em Capitão Gervásio Oliveira/PI.

Para demonstrar tamanha primariedade oficial no setor, no Jornal Diário do Povo, Caderno Especial, Suplemento Economia, de 26 de março de 2010, deparei-me com matéria intitulada “Chineses conhecem a ampliação da CPL Import”, que reportava sobre a missão de 25 industriais chineses que fez viagem de negócios ao Piauí para visitar a sede da CPL Import (Ceará Importações de Peças e Acessórios Ltda.), a importadora do Grupo R. Damásio. A empresa funciona no município de Tianguá/CE e os chineses visitaram a sede da CPL Import acompanhados do seu presidente Rufino Damásio e demais executivos da empresa.

Rufino Damásio disse claramente que instalou a importadora de seu grupo empresarial em Tianguá porque o governo do Ceará ofereceu todas as condições favoráveis ao empreendimento. “Não nos faltou estrutura, começando pelo porto. O Governo do Ceará nos deu condição fiscal para vender para outros Estados. No Piauí, nossa empresa estava perdendo competitividade. No Ceará, só não nos deram financiamento porque, graças a Deus, não precisamos”, relatou Rufino Damásio.

A CPL Import recebeu este ano, pela sexta vez, o “Prêmio Contribuintes” do governo cearense, por figurar entre os grandes contribuintes daquele Estado. Pergunta-se: por que o empresário Rufino Damásio foi instalar negócios no vizinho Ceará? Porque a nossa classe política não é afeita ao empreendedorismo, não se incomoda se instala empresa aqui ou acolá, mas fazer política para viver no Estado sob as tetas do erário. Daí parte dela advir de famílias de políticos que fez tudo para os seus filhos prosseguirem na vida pública. Mas existem os que ainda elegem as suas esposas para se ramificarem em outros tentáculos do poder público. Outra pergunta: se os nossos governantes não conseguiram que o piauiense Rufino Damásio instalasse a sua empresa de importação no Piauí, como teriam condições de segurar a Suzano no Estado? A resposta está com o articulista Francisco de Assis Sousa: “Êita Piauí véi difícil!”.

* Deusval Lacerda de Moraes é Pós-Graduado em Direito

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