O presidente da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), senador Carlos Viana (Podemos-MG), confirmou que o colegiado votará, nesta quinta-feira (16), os requerimentos que pedem a convocação de Frei Chico , irmão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e vice-presidente do Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos ( Sindnapi ).
“Vou incluir todos os requerimentos”, afirmou Viana à revista Oeste. “Aceitei colocar o requerimento porque o presidente do sindicato veio à comissão com habeas corpus para não falar nada. Então, ele não falou nada.”
Na semana passada, a CPMI ouviu o presidente do Sindnapi, Milton Baptista de Souza Filho, que foi convocado para prestar esclarecimentos, mas permaneceu em silêncio durante toda a sessão, amparado por decisão judicial.
“Se o presidente, que poderia esclarecer todos os problemas, não o fez, temos que chamar os demais envolvidos”, disse Viana. “O vice-presidente do sindicato é o irmão do presidente da República. Queremos ouvir o que ele tem a dizer. O requerimento será colocado em votação; se será aprovado, é outra história.”
Segundo o parlamentar, o depoimento de Frei Chico é considerado essencial para esclarecer a relação do Sindnapi com o governo federal e o possível apoio político a entidades suspeitas de participar de um esquema de descontos indevidos sobre aposentadorias e pensões.
Depoimento de Cícero Marcelino também será ouvido
Além da análise dos requerimentos envolvendo o Sindnapi, a CPMI ouvirá, nesta quinta-feira, o depoimento de Cícero Marcelino de Souza Santos, assessor do presidente da Confederação Nacional dos Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais (Conafer).
A convocação foi apresentada pelos senadores Izalci Lucas (PL-DF) e Eduardo Girão (Novo-CE) e aprovada pelo colegiado após a Polícia Federal apontar Cícero como operador financeiro central do esquema investigado.
De acordo com o requerimento de Izalci, o assessor teria facilitado acordos fraudulentos com o INSS, utilizando assinaturas falsas e documentos manipulados para validar descontos ilegais que atingiram milhares de beneficiários. O documento também cita enriquecimento suspeito, lavagem de dinheiro e a criação de empresas de fachada, entre elas o Terra Bank, um banco digital não autorizado pelo Banco Central.