O ex-governador do Rio de Janeiro, Anthony Garotinho , fez uma série de afirmações sobre a atuação do Primeiro Comando da Capital (PCC) no Brasil e no exterior, destacando a expansão da facção em estruturas econômicas, institucionais e no mercado internacional de drogas. As declarações foi feitas em um vídeo postado na página do Instagram do ex-governador nessa segunda-feira (10).
Segundo Garotinho, o PCC exerce controle absoluto sobre o Porto de Santos, considerado o principal corredor de saída de cocaína do país para o exterior. Ele afirma que a facção opera hoje em mais de 30 países, mantendo articulações diretas com cartéis do México, com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), com a máfia italiana ’Ndrangheta, além do grupo libanês Hezbollah.
Garotinho cita ainda um relatório do Serviço de Inteligência de Portugal (SIS) indicando que o PCC já possui mais de 1.000 membros operando em território português. Os mercados estratégicos da organização, segundo ele, incluem Europa, Oriente Médio, África e Estados Unidos.
Ele afirma que a facção adapta sua lógica de atuação conforme a região. Em Trinidad e Tobago, por exemplo, o PCC trocaria cocaína por ouro; em Gana, por diamantes; enquanto no Leste Europeu, negociaria armas.
Garotinho também destaca um processo de infiltração institucional supostamente financiado pela organização para que integrantes possam passar em concursos e ocupar cargos como juízes, delegados da Polícia Federal, promotores de Justiça e outras funções estratégicas.
Além disso, ele aponta que o PCC teria expandido sua atuação econômica para setores legais e ilegais, incluindo redes de combustíveis, motéis, farmácias, imóveis e o controle de mais de 40% das plataformas de apostas esportivas (“bets”) no país.
Comparação com o Comando Vermelho
Garotinho também comparou a atuação do PCC com a do Comando Vermelho (CV), principal facção do Rio de Janeiro. Segundo ele, embora o CV tenha começado a estruturar uma organização empresarial semelhante, sua base de operação ainda se concentra no varejo do tráfico, dominando territórios por meio de força e intimidação.
Ele afirma que o CV controla atualmente 538 comunidades no Rio, mantendo sob seu domínio mais de 30 mil fuzis. No sistema prisional fluminense, diz, mais de 40% dos detentos seriam ligados ao grupo, que também exerceria controle interno das unidades e de negociações paralelas.
Garotinho citou ainda que o CV possui um “tribunal interno” para punir seus próprios membros, fazendo referência ao caso dos suspeitos de envolvimento na morte dos médicos que participavam de um congresso recente no Rio de Janeiro.