A defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) protocolou, nessa terça-feira (11), um pedido ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), para que o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), seja autorizado a realizar uma visita ao ex-presidente.

Na petição, os advogados alegam haver “necessidade de diálogo direto com o presidente”, referindo-se a Bolsonaro, e solicitam que o encontro seja permitido “na data mais breve possível”. O pedido ocorre em meio à expectativa de uma possível prisão em regime fechado, após a condenação de Bolsonaro a 27 anos e 3 meses de prisão por tentativa de golpe de Estado.

Foto: Reprodução/Twitter
Jair Bolsonaro e Tarcísio de Freitas
Atualmente, Bolsonaro cumpre prisão domiciliar preventiva desde 4 de agosto de 2025, em razão de um inquérito que apura obstrução à Justiça. A acusação indica que o ex-presidente teria articulado, junto ao deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), formas de pressionar ou retaliar autoridades responsáveis por decisões desfavoráveis a ele.

A limitação de visitas foi estabelecida na decisão de prisão preventiva assinada por Moraes. No documento, o ministro afirmou que Bolsonaro descumpriu medidas cautelares ao produzir conteúdos publicados nas redes sociais de aliados e familiares, com mensagens que “incentivavam ataques ao Supremo Tribunal Federal” e demonstravam “apoio ostensivo à intervenção estrangeira no Poder Judiciário brasileiro”.

Por essa razão, Moraes determinou que todas as visitas ao ex-presidente só podem ocorrer mediante autorização expressa do STF, incluindo a de autoridades públicas.

Tarcísio em meio a disputas políticas

O pedido de visita ocorre também em meio a movimentações políticas que colocam Tarcísio de Freitas como um dos principais nomes cotados para disputar a Presidência da República em 2026, em eventual substituição a Bolsonaro.

Apesar da proximidade com o ex-presidente, Tarcísio tem enfrentado resistências dentro do próprio campo bolsonarista. O deputado federal Eduardo Bolsonaro, por exemplo, já classificou o governador como “candidato do sistema”, indicando desconfiança sobre sua lealdade à ala mais radical da direita.

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Ação principal e condenação

A ação que motivou a condenação de Jair Bolsonaro é a do “núcleo 1” do inquérito que apura uma suposta tentativa de golpe de Estado, entre o fim de 2022 e 8 de janeiro de 2023. No julgamento, concluído pela Primeira Turma do STF, o ex-presidente foi condenado a 27 anos e 3 meses de prisão, decisão que ainda passa por recursos.