A Polícia Federal (PF) cumpriu, nessa quinta-feira (13), nove dos dez mandados de prisão preventiva expedidos no âmbito da Operação Sem Desconto, que investiga um amplo esquema de fraudes envolvendo descontos ilegais aplicados a aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). O único alvo ainda não localizado é Carlos Roberto Ferreira Lopes, presidente da Confederação Nacional de Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais (Conafer), apontado como líder e mentor intelectual do esquema.
A operação é um desdobramento do escândalo revelado pelo Metrópoles , que publicou, a partir de dezembro de 2023, uma série de reportagens mostrando o crescimento vertiginoso da arrecadação de entidades que aplicavam mensalidades indevidas a segurados. Em um ano, os valores teriam atingido R$ 2 bilhões, enquanto as associações acumulavam milhares de processos por fraudes nas filiações. O material motivou a abertura de inquérito pela PF e alimentou investigações da Controladoria-Geral da União (CGU). No total, 38 reportagens foram citadas na representação que deu origem à operação, deflagrada pela PF em 23 de abril.
As apurações resultaram também nas demissões do então presidente do INSS, Alessandro Stefanutto, e do ex-ministro da Previdência Social, Carlos Lupi. Entre os alvos da nova fase, além de Stefanutto, estão figuras centrais do esquema, como Vinícius Ramos da Cruz, presidente do Instituto Terra e Trabalho (ITT), e Tiago Abraão Ferreira Lopes, diretor da Conafer e irmão de Carlos Roberto.
Veja quem já foi preso pela PF:
Alessandro Stefanutto – ex-presidente do INSS
Antônio Carlos Antunes Camilo, o Careca do INSS – já preso na Papuda
Vinícius Ramos da Cruz – presidente do ITT
Tiago Abraão Ferreira Lopes – diretor da Conafer
Cícero Marcelino de Souza Santos – empresário ligado à Conafer
Samuel Chrisostomo do Bonfim Júnior – integrante da Conafer
André Paulo Felix Fidelis – ex-diretor de Benefícios do INSS
Virgílio Antônio Ribeiro de Oliveira – ex-procurador-geral do INSS
Thaísa Hoffmann – esposa de Virgílio
Além dos presos, o Supremo Tribunal Federal (STF) determinou o uso de tornozeleira eletrônica por outros sete investigados, incluindo José Carlos de Oliveira, ex-presidente do INSS e ex-ministro do Trabalho e Previdência.
Carlos Roberto, presidente da Conafer desde 2011, já havia prestado depoimento à CPMI do INSS em 29 de setembro. No dia seguinte, foi preso em flagrante por falso testemunho, mas liberado após pagamento de fiança de R$ 5 mil. Ele agora é considerado foragido.
Segundo a PF, o grupo utilizava entidades e associações parceiras do INSS para inserir no sistema oficial cobranças não autorizadas, que eram automaticamente descontadas dos benefícios de milhões de segurados. Apenas a Conafer teria recebido R$ 708 milhões, dos quais R$ 640,9 milhões foram desviados para empresas de fachada e contas de operadores financeiros ligados ao esquema.