A investigação que apura o uso do fundo Hans 95 para lavar dinheiro da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) revelou que o sistema financeiro movimentou bilhões em investimentos ligados ao empresário Daniel Vorcaro , presidente do Banco Master , preso pela Polícia Federal (PF) nessa terça-feira (18). As informações são do portal UOL .

O fundo Hans 95 é um dos principais alvos da Operação Carbono Oculto e pertence à gestora Reag, que opera por meio de uma complexa rede de fundos interligados, dificultando o rastreamento do verdadeiro destino dos recursos. Um dos focos da operação envolve a aquisição de ativos financeiros do Banco Master por fundos ligados ao Hans 95, pois, em outubro de 2024, o sistema financeiro investiu R$ 124 milhões em CDBs da instituição.

A maior parte dos aportes aconteceu por meio de fundos fechados, segundo dados obtidos junto à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), juntas comerciais e cartórios. Ainda segundo as informações, a estrutura em cascata permitiu esconder os beneficiários finais.

Outros dois fundos controlados indiretamente pelo Hans 95 reforçaram o vínculo com a instituição financeira: o Astralo 95, que registrou R$ 622 milhões em papéis do banco, e o Murren 41, que alocou R$ 103 milhões em CDBs do Master, totalizando R$ 849 milhões movimentados em títulos do banco de Daniel Vorcaro.

Outros investimentos do Hans 95 em empresas de Vorcaro

O fundo ainda chegou a ser um dos principais investidores da Akka Empreendimentos, outra empresa com vínculos diretos com Daniel Vorcaro. Em junho de 2024, o fundo Murren 41 possuía R$ 1 bilhão em ações da Akka, valor superior ao capital social declarado, de apenas R$ 31 milhões.

Descumprimento de normas da Receita Federal

O Hans 95 descumpriu normas da Receita Federal e da CVM ao deixar de entregar declarações obrigatórias ao fisco desde 2022. Ele também não submeteu auditorias de 2022 a 2024. Na última avaliação formal, em 2021, os auditores se recusaram a opinar devido à falta de dados confiáveis. Essa omissão pode ter ajudado a mascarar os aportes e inflar artificialmente o patrimônio do banco, segundo os investigadores.

Sem anúncio no momento

Ligação com o Primeiro Comando da Capital

A Receita Federal revelou, por meio de relatórios, a existência de repasses diretos da mulher de Mohamad Hussein Mourad ao Hans 95; Mourad é suspeito de integrar o PCC. Segundo o documento, em 2023, foram enviados R$ 17 milhões por meio do BK Bank, fintech investigada como elo da facção. Outros R$ 45 milhões foram enviados ao fundo em 2022 pelo mesmo sistema financeiro.

O Hans 95 também chegou a investir em dois fundos suspeitos de ligação com Mohamad: o Gold Style e o Mubruk II. Os recursos eram repassados por parentes e empresas do grupo investigado.