O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) visitou, nesta sexta-feira (21), o ex-presidente Jair Bolsonaro , que cumpre prisão domiciliar no condomínio Solar de Brasília, no Jardim Botânico, região nobre da capital federal. Após o encontro, o parlamentar afirmou a jornalistas que existe “grande preocupação” com a possibilidade de Bolsonaro ser levado para um presídio.
“Ele está com uma crise forte de soluço e praticamente não dormiu esta noite. Se for para a cadeia, ele terá dificuldade de permanecer vivo”, declarou. Nikolas classificou a situação jurídica do ex-presidente como injusta e voltou a dizer que se trata de uma “prisão política” com o objetivo de impedir sua participação nas próximas eleições. “Alguém está querendo que ele morra”, afirmou. O deputado relatou ainda que esteve com os filhos de Bolsonaro, Carlos e Flávio, e que levou doces mineiros para o almoço.
Defesa pede manutenção da prisão domiciliar por motivos de saúde
No mesmo dia, a defesa de Bolsonaro enviou ao Supremo Tribunal Federal (STF) um pedido para que o ex-presidente permaneça em prisão domiciliar. O documento lista uma série de condições médicas consideradas graves e usa como base argumentos “humanitários”.
Entre os fatores apresentados estão:
- Idade e histórico cirúrgico
- 70 anos.
- Sequelas permanentes da facada de 2018, com múltiplas cirurgias no abdômen.
- Cirurgia de urgência realizada em abril de 2025 por aderências intestinais.
- Doenças gastrointestinais
- Doença do refluxo gastroesofágico com esofagite.
- Gastrite prévia.
- Risco de obstruções intestinais e episódios súbitos de dor intensa.
- Quadro pulmonar
- Pneumonia bacteriana recorrente/aspirativa.
- Alterações pulmonares permanentes por aspiração crônica.
- Sinais de congestão pulmonar e pequeno derrame pleural.
- Soluços incontroláveis. Crises de soluços incoercíveis, com necessidade de medicamentos de ação no sistema nervoso central.
- Episódios já acompanhados de falta de ar e desmaios.
- Riscos cardiovasculares
- Hipertensão.
- Aterosclerose coronária.
- Estenose e obstrução de carótidas.
- Apneia do sono grave
- Índice de apneia-hipopneia de 85 por hora.
- Necessidade de uso contínuo de CPAP.
- Câncer de pele
- Carcinoma de células escamosas “in situ”, diagnosticado em setembro de 2025.
O conjunto de condições, segundo os advogados, representa um “quadro clínico de alta complexidade”, com risco elevado de intercorrências súbitas e potencialmente fatais. A equipe invoca o artigo 318, II, do Código de Processo Penal, que prevê prisão domiciliar para pessoas extremamente debilitadas por doença grave.
Defesa cita precedente envolvendo Collor
Os advogados lembram ainda o caso do ex-presidente Fernando Collor, que recebeu prisão domiciliar aos 75 anos por apresentar Doença de Parkinson, apneia do sono grave e transtorno afetivo bipolar. Segundo a defesa, o precedente demonstraria a necessidade de compatibilizar dignidade humana, direito à saúde e aplicação da justiça penal.
Processo segue em andamento
Jair Bolsonaro foi condenado a 27 anos de prisão pelos crimes de organização criminosa armada, tentativa de golpe de Estado, abolição violenta do Estado Democrático de Direito, dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado.
O processo ainda não transitou em julgado, e o prazo para recursos permanece aberto. No entanto, aliados do ex-presidente já tratam a possibilidade de prisão definitiva como iminente, aumentando a tensão em torno do caso.