As bancadas evangélica e católica do Congresso Nacional divulgaram notas, neste início de semana, criticando a prisão preventiva do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), detido no sábado (22) em Brasília após a Polícia Federal apontar risco de fuga e tentativa de violação da tornozeleira eletrônica. Bolsonaro está em uma cela especial na sede da PF na Capital Federal.
As manifestações ocorreram horas após a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) confirmar por unanimidade a decisão do ministro Alexandre de Moraes, que decretou a prisão. Votaram pela manutenção da medida os ministros Flávio Dino, Cristiano Zanin e Cármen Lúcia.
Na nota divulgada, a Frente Parlamentar Evangélica afirmou que a prisão viola garantias constitucionais, como o devido processo legal e o direito à ampla defesa, citando ainda a condição de Bolsonaro como idoso e com saúde fragilizada. O grupo afirmou que o ex-presidente não apresentaria risco de fuga e classificou a decisão como um fator que “aprofunda divisões políticas”.
Os parlamentares também apontaram “relevante impacto político e institucional para o segmento cristão” e alertaram para um aumento da tensão no país. Para a bancada, a medida agrava a desconfiança nas instituições e compromete a pacificação social.
A Frente Parlamentar Católica também se posicionou contra a prisão, classificando a decisão de Moraes como “truculenta”. O grupo afirmou reconhecer sinais de “violência e intolerância política” no ambiente institucional e manifestou solidariedade ao ex-presidente. “Vimos manifestar nossa solidariedade ao ex-presidente Jair Bolsonaro, bem como repudiar a truculência e a medida judicial que levou à decretação de sua prisão”, diz o texto. Os parlamentares reforçaram ainda a defesa da “dignidade humana”, da paz e da justiça como pilares da vida pública.
A prisão
Bolsonaro foi detido na manhã de sábado após a Polícia Federal informar ao STF que o ex-presidente tentaria fugir durante a vigília convocada por apoiadores em frente ao condomínio onde reside. Também foi registrada uma violação da tornozeleira eletrônica, o que, segundo Moraes, reforçaria a intenção de fuga.
O ministro afirmou na decisão que Bolsonaro poderia tentar se refugiar na Embaixada dos Estados Unidos, localizada a cerca de 13 quilômetros de sua residência. A avaliação levou à decretação da prisão preventiva, agora referendada pelo STF.