Aliado de Jair Bolsonaro (PL), o desembargador aposentado Sebastião Coelho convocou, pelas redes sociais, uma paralisação nacional em defesa de uma anistia ao ex-presidente, preso no sábado (22) por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). O chamado foi feito por meio de vídeos publicados em sua página no Instagram.

No conteúdo divulgado, o desembargador afirma que a mobilização é “o caminho que restou” após tentativas consideradas por ele infrutíferas de pressionar o Congresso Nacional. O ex-magistrado defende uma “anistia ampla, geral e irrestrita” tanto para os investigados pelos atos de 8 de janeiro quanto para Bolsonaro, que, segundo ele, “representa a todos”.

O desembargador instruiu seguidores sobre como a paralisação deveria ser organizada. Segundo ele, todos os setores deveriam aderir, exceto bombeiros, hospitais e ambulâncias. A intenção, afirmou, é iniciar o movimento por áreas específicas, com líderes de cada setor chamando suas próprias mobilizações, até que outras categorias se somem ao ato.

Coelho também criticou o Poder Judiciário, acusando-o de atuar como “ditadura” e questionando até quando apoiadores permaneceriam de “braços cruzados”. Em vídeo, ele citou a prisão do ex-capitão do Exército e cobrou uma reação: “Essa é a hora, meus irmãos. Paralisação já”, disse.

Após a prisão de Bolsonaro, o ex-magistrado voltou às redes para pedir uma “reação à altura”. Ele classificou a ordem de prisão como “intolerância religiosa e abuso de poder” e sugeriu que a decisão também representa risco de que generais das Forças Armadas possam ser encaminhados a prisões comuns — o que, segundo ele, violaria o Estatuto dos Militares.

Coelho afirmou ainda que as vigílias realizadas desde agosto, após Bolsonaro receber autorização para prisão domiciliar, não configurariam irregularidade e que a prisão seria mais uma violação dos direitos do ex-presidente.

Sem anúncio no momento

A prisão

Bolsonaro foi detido pela Polícia Federal em Brasília após pedido da corporação ao STF. De acordo com a PF, havia risco de fuga durante a vigília convocada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL) em frente ao condomínio onde o pai reside.

Na decisão, Alexandre de Moraes citou também violação da tornozeleira eletrônica que Bolsonaro utiliza. Segundo o monitoramento, o equipamento registrou uma quebra às 0h08 de sábado (22), o que indicaria intenção de fuga em meio à movimentação de apoiadores no local. “A informação constata a intenção do condenado de romper a tornozeleira eletrônica para garantir êxito em sua fuga, facilitada pela confusão causada pela manifestação convocada por seu filho”, escreveu o ministro.