A Justiça do Rio de Janeiro determinou, nesse domingo (2), a soltura de Antonio de Jesus Cabral, de 40 anos, preso em São Paulo no dia 30 de outubro. Ele é apontado como um dos líderes do Comando Vermelho (CV) e havia sido detido na Rua 25 de Março, no centro da capital paulista.

Segundo a defesa, a prisão ocorreu devido a uma “confusão” no Judiciário do Rio: o mandado de prisão preventiva estava revogado desde agosto de 2022, após o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ) conceder um habeas corpus, permitindo que Cabral respondesse aos processos em liberdade.

O advogado de Cabral, Erlande Nunes, afirmou ao Metrópoles que o suspeito já retornou ao Rio de Janeiro e que os fatos estão “devidamente esclarecidos”.

Investigação e histórico criminal

Cabral estaria ligado a uma quadrilha de hackers especializada em fraudes de concursos públicos. O grupo oferecia cursos preparatórios com acesso a conteúdos sigilosos das provas, causando prejuízo estimado em R$ 70 milhões.

Em 2022, ele foi condenado pela 1ª Vara Criminal de Niterói a 14 anos e oito meses de prisão por associação criminosa, violação de direitos autorais e lavagem de dinheiro. Naquele ano, a Justiça do Rio expediu um mandado de prisão preventiva, que foi registrado no Banco Nacional de Medidas Penais e Prisões (BNMP) do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), levando Cabral a ser considerado foragido até sua detenção em São Paulo.

No entanto, dois dias após a expedição do mandado, a juíza Daniela Barbosa Assumpção de Souza, da 1ª Vara Criminal de Niterói, revogou a ordem, permitindo que o réu respondesse em liberdade.

Sem anúncio no momento

Prisão em São Paulo

Cabral foi identificado pelas câmeras do programa Smart Sampa enquanto caminhava pela Rua 25 de Março. Agentes da Inspetoria de Operações Especiais (IOPE) o abordaram próximo ao Mercado Municipal e o conduziram ao 8º Distrito Policial (Belém), onde permaneceu à disposição da Justiça.

A Prefeitura de São Paulo informou que Cabral teria deixado o Rio de Janeiro antes da megaoperação policial nos complexos da Penha e do Alemão, que resultou em mais de 120 mortos e 113 presos. A polícia investiga se ele teve acesso a informações privilegiadas que facilitaram a fuga.

A Justiça de São Paulo tentou contato com o TJRJ para esclarecer a situação, mas não obteve resposta, o que manteve a prisão até a decisão de soltura.