O deputado federal Marcel Van Hattem (Novo-RS) afirmou, durante sessão do Conselho de Ética da Câmara, que ele e os parlamentares Marcos Pollon (PL-MS) e Zé Trovão (PL-SC) estão sendo alvo de perseguição política no processo que apura a ocupação da mesa diretora da Câmara, ocorrida em agosto de 2025 — episódio que se seguiu à prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Segundo ele, o andamento do caso tem sido conduzido de forma desigual.
Van Hattem disse que pediu ao presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), que separasse os processos individuais dos envolvidos, mas que até agora não recebeu resposta. “Ou se analisava todos os deputados que estavam sobre a mesa, ou se analisava cada caso isoladamente. Solicitamos isso formalmente, mas o pedido segue sem retorno”, afirmou.
O deputado também criticou a realização da reunião em uma quinta-feira, alegando que o Conselho de Ética não costuma se reunir nesse dia. Ele questionou o presidente da sessão, deputado Albuquerque (Republicanos-RR), sobre o motivo do agendamento. “Quantas quintas-feiras neste ano o Conselho se reuniu? Nenhuma”, disse Pollon ao reforçar a crítica. A escolha da data, segundo Van Hattem, dificultou inclusive a presença física do advogado Jeffrey Chiquini, que participou por videoconferência.
Na avaliação do parlamentar, há uma tentativa de acelerar a instrução do processo antes do recesso parlamentar. “Estamos aqui numa quinta e numa sexta para buscar uma suspensão o quanto antes”, afirmou.
Van Hattem também classificou a ocupação da mesa diretora como uma manifestação pacífica e comparou o ato a movimentos liderados por Gandhi e Martin Luther King. Ele argumenta que os deputados não danificaram patrimônio nem impediram o trabalho de servidores. “Não enfrentamos assessores, não enfrentamos a polícia legislativa, não desrespeitamos a Presidência da Casa. Fizemos uma manifestação legítima e sem violência”, declarou.