A equipe médica do ex-presidente Jair Bolsonaro detalhou a cirurgia à qual ele deverá ser submetido para correção de uma hérnia inguinal bilateral. Em nota divulgada nesse domingo (21) e assinada pelo cirurgião-geral Cláudio Birolini e pelo cardiologista Leandro Echenique, consta que Bolsonaro precisará permanecer internado para a realização do procedimento, ainda sem data definida.
De acordo com os médicos, exames apontaram que parte do intestino do ex-presidente se projeta para fora da parede abdominal durante a chamada manobra de Valsalva, que eleva a pressão intra-abdominal. Diante desse quadro, será necessária a realização de uma herniorrafia inguinal bilateral para corrigir o problema.
Além da cirurgia da hérnia, a equipe médica também planeja um procedimento adicional para tentar controlar as crises de soluço enfrentadas por Bolsonaro. “Considerando a presença de soluços persistentes e refratários ao tratamento medicamentoso instituído, está programada, durante o período de internação hospitalar, a realização de bloqueio anestésico do nervo frênico, com a finalidade de atenuar as crises de soluços”, afirma a nota. Segundo laudo da Polícia Federal, o ex-presidente apresenta soluços incoercíveis, com frequência de até 40 episódios por minuto.
Jair Bolsonaro está preso desde 22 de novembro na Superintendência Regional da Polícia Federal no Distrito Federal, após ter sido condenado pelo Supremo Tribunal Federal a 27 anos e três meses de prisão por supostos crimes contra o Estado. Desde a detenção, a defesa vinha solicitando autorização judicial para a realização das cirurgias.
A liberação do procedimento ocorreu somente após a elaboração de um laudo pela Polícia Federal, que foi analisado pelo ministro do STF Alexandre de Moraes. A perícia concluiu que Bolsonaro necessita passar pela cirurgia “o mais breve possível”, embora tenha classificado o procedimento como “eletivo”, ou seja, sem caráter de urgência.