Os funcionários dos Correios recusaram a nova proposta de acordo coletivo de trabalho apresentada pela direção da estatal, no âmbito de negociações mediadas pelo Tribunal Superior do Trabalho (TST) , e decidiram manter o indicativo de greve.

Na prática, a negociação irá agora para o dissídio coletivo, um processo judicial trabalhista para resolver impasses entre categorias de trabalhadores e empregadores, quando a negociação direta falha. Dessa forma, caberá ao TST definir quais cláusulas devem ser incluídas no acordo coletivo.

Foto: Alef Leão/GP1
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Sobre a proposta recusada

A proposta de acordo foi recusada pelas assembleias de funcionários dos correios realizadas nessa terça-feira (24). Ao todo, 18 sindicatos foram contra os termos propostos no acordo e 16 foram a favor.

A direção dos Correios estipulava no acordo, entre outros pontos, a gratificação de férias de 702% e reajuste salarial de 5,13%, que passariam a valer a partir de abril de 2026, com efeito retroativo para janeiro do próximo ano.

Também foi proposto o fim da hora tripla (200% de adicional) aos domingos e feriados. A partir de agosto de 2026, os funcionários iriam receber o valor previsto na CLT (1000% de adicional).

A crise nos Correios

Os Correios informaram um prejuízo acumulado de R$6,1 bilhões no período entre janeiro e setembro de 2025. Os números do balanço financeiro da estatal indicam que o rombo aumentou expressivamente este ano, agravando ainda mais a situação das contas da empresa, que já acumula perdas desde de 2023.

Sem anúncio no momento

O prejuízo bilionário dos primeiros nove meses de 2025 é quase três vezes maior do que o registrado no mesmo período em 2024. Só no terceiro trimestre deste ano, o prejuízo foi de R$1,7 bilhão. A receita total da estatal recuou para R$12,35 bilhões, com baixa de 12,7% em relação ao mesmo período do ano passado.

O balanço da empresa revelou, ainda, que as despesas gerais e administrativas tiveram um salto de 53,5%, de R$3,14 bilhões para R$4,82 bilhões até setembro. Os custos operacionais tiveram uma queda, porém mais leve, de R$11,85 bilhões para R$11,69 bilhões entre os nove primeiros meses de 2024 e igual período de 2025.