O vereador de Balneário Camboriú (SC), Jair Renan Bolsonaro (PL), afirmou nesta segunda-feira (29) que o ex-presidente Jair Bolsonaro não apresenta boas condições de saúde após a cirurgia de hérnia inguinal bilateral realizada no Hospital DF Star, em Brasília. Segundo ele, o pai permanece em jejum, sonolento e enfrenta complicações no pós-operatório.
“Meu pai não está bem. Se ele estivesse bem, não estaria fazendo cirurgia”, declarou Jair Renan na saída do hospital. Ainda de acordo com o vereador, Bolsonaro iniciou tratamento para conter crises persistentes de soluço e passará, na tarde desta segunda, por um novo procedimento médico.
O ex-presidente foi submetido por volta das 14h, a um bloqueio do nervo frênico esquerdo, intervenção indicada para interromper temporariamente a função do diafragma e controlar os soluços. O procedimento consiste na aplicação de anestésico local próximo a nervos específicos e tem duração estimada de efeito entre 12 e 18 horas, conforme explicaram os médicos. A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro acompanhou realização do procedimento.
Trata-se de uma radiointervenção com anestesia, semelhante à realizada no último sábado (27), quando Bolsonaro passou pelo bloqueio do nervo frênico direito. Após a nova intervenção, ele seguirá internado para observação e acompanhamento da evolução do quadro clínico.
Segundo familiares, Bolsonaro também enfrenta apneia do sono nesta fase de recuperação, condição que provoca interrupções repetidas da respiração durante o descanso, o que pode explicar o cansaço e a sonolência relatados por Jair Renan. Além disso, o ex-presidente deverá manter sessões de fisioterapia para reabilitação, medidas de prevenção de trombose venosa e cuidados clínicos gerais.
Bolsonaro está internado no Hospital DF Star desde a véspera de Natal e se recupera da cirurgia realizada no dia 25 de dezembro, quando foi submetido a uma herniorrafia inguinal bilateral. Diante da persistência dos soluços e da necessidade de novos procedimentos além da cirurgia, a previsão é de que ele passe a virada do ano internado.
De acordo com a equipe médica, o ex-presidente não necessita de internação em UTI. A alta hospitalar dependerá da evolução clínica e da capacidade de retomada do autocuidado.
Cirurgia de hérnia
O cirurgião Cláudio Birolini detalhou que a cirurgia para correção da hérnia inguinal bilateral começou por volta das 9h40 do dia 25 de dezembro, durou cerca de três horas e ocorreu conforme o esperado, sem intercorrências. Bolsonaro foi submetido à anestesia geral e, por volta das 14h, já estava acordado, em repouso no quarto do hospital.
Segundo o médico, além da correção da hérnia, foi colocado um reforço de polipropileno na parede abdominal do ex-presidente.
Bolsonaro passou pelo procedimento um dia após ter sido autorizado a deixar a superintendência da Polícia Federal, onde cumpre pena após condenação pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 27 anos e três meses de prisão por tentativa de golpe de Estado e outros crimes.