A energia elétrica deve ficar mais cara em 2026. A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) estima que os subsídios pagos pela Conta de Desenvolvimento Energético (CDE) alcançarão R$ 52,6 bilhões no próximo ano, valor 7% maior que o registrado em 2025. O cálculo técnico será analisado pela diretoria da agência nesta terça-feira (9).
A CDE financia diversas políticas públicas do setor elétrico e é sustentada majoritariamente pelos consumidores por meio da tarifa de energia. O aumento deve pressionar diretamente a conta de luz e, consequentemente, a inflação, cenário que ganha ainda mais relevância em um ano eleitoral. O fundo também recebe uma parcela menor do Orçamento da União e de receitas privadas.
Nos últimos anos, os gastos da CDE cresceram rapidamente: passaram de menos de R$ 22 bilhões em 2020 para R$ 37 bilhões em 2024, chegando a R$ 49,3 bilhões em 2025. O governo tenta frear essa alta e aprovou uma lei que estabelece um teto para o fundo a partir de 2027.
Boa parte do aumento previsto para 2026 está ligada aos subsídios destinados a grandes usinas eólicas e solares, que somam R$ 3,4 bilhões devido a descontos no uso das redes de transmissão e distribuição. A nota técnica da Aneel aponta alta de R$ 2,7 bilhões nesses incentivos para grandes projetos renováveis e de R$ 3,2 bilhões para pequenos sistemas solares instalados em residências e comércios.
Outro fator de pressão foi a ampliação da tarifa social, que recebeu reforço de R$ 2,6 bilhões após a expansão da gratuidade para famílias de baixa renda. Embora o governo afirme que a medida protege os mais vulneráveis, o custo é dividido entre todos os consumidores.
“A CDE representa, em média, 15% da fatura de energia elétrica. Assim, para consumidores com consumo mensal inferior a 120 kWh, a implementação desta nova política pública representa redução média de 15%”, destacou a Aneel na nota técnica.