A Polícia Federal indiciou nesta terça-feira (17) o ex-presidente Jair Bolsonaro e o deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ), ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência ( Abin ), por suposto envolvimento em um esquema ilegal de monitoramento que ficou conhecido como “Abin paralela”.
Além dos dois, o vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ), o ex-assessor da Presidência Tércio Arnaud Thomaz e membros da atual cúpula da Abin também foram indiciados, incluindo o diretor-geral Luiz Fernando Corrêa. De acordo com o relatório da PF, o grupo teria operado uma espécie de "Abin paralela", utilizando o software israelense First Mile para monitorar, em tempo real, a localização de alvos considerados “inconvenientes” ao governo.
Segundo a PF, o ex-secretário de Planejamento da Abin, Paulo Maurício Fortunato, teria sugerido diretamente o uso do software para espionar autoridades. Além disso, ele é acusado de dificultar o acesso da polícia a documentos e equipamentos essenciais para a continuidade das apurações.
De acordo com o relatório da corporação, o grupo teria utilizado recursos e ferramentas da Abin para monitorar ilegalmente autoridades públicas, jornalistas e desafetos políticos do governo anterior. Além de Bolsonaro e Ramagem, também foram indiciados o vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ), o ex-assessor especial da Presidência Tércio Arnaud Thomaz e integrantes da atual estrutura da agência, como o diretor-geral Luiz Fernando Corrêa.
A apuração ainda cita tentativas de obstrução da investigação por parte da própria agência, o que levou ao indiciamento de Luiz Carlos Nóbrega Nelson, chefe de gabinete da Abin, e José Fernando Moraes Chuy, atual corregedor. Este último foi nomeado já durante o governo Lula, em meio às investigações.