O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) já repassou R$ 19,1 milhões à ONG Unisol Brasil (Central de Cooperativas e Empreendimentos Solidários), entidade criada pelo Sindicato dos Metalúrgicos do ABC , em São Bernardo do Campo (SP), tradicional reduto do PT.

Desde o início do terceiro mandato de Lula, foram firmados oito convênios com a Unisol, todos por meio de ministérios sob comando do PT, como os da área do Trabalho, Direitos Humanos e Desenvolvimento Agrário.

Foto: Ricardo Stuckert/PR
Presidente Lula

Segundo levantamento publicado pelo jornal O Estado de S. Paulo nesta segunda-feira (30), os repasses do Governo Federal à Unisol atingiram um recorde na atual gestão. Nos últimos dez anos, os valores giravam em torno de R$ 1 milhão por ano. Somente em 2024, ultrapassaram os R$ 18 milhões.

Projetos com viés ideológico

Entre as iniciativas financiadas está um curso de formação de defensores dos direitos humanos, com o objetivo de combater “ataques à democracia”. A ação tem como meta capacitar 300 pessoas por meio de seminários virtuais — oito eventos de quatro horas cada — distribuídos em dez turmas.

A formação, segundo os organizadores, também visa evitar a repetição do que chamam de “golpe”, em referência ao impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), em 2016. O curso recebeu R$ 400 mil do Ministério dos Direitos Humanos, via emenda do deputado Vicentinho (PT-SP).

Para 2026, está prevista a criação de uma “rede de defesa dos direitos humanos”, com distribuição de 3 mil cartilhas para que os participantes da capacitação compartilhem os conteúdos aprendidos.

Sem anúncio no momento

Outro projeto, financiado pelo Ministério do Trabalho com R$ 200 mil oriundos de emenda do deputado Nilto Tatto (PT-SP), tem foco na “Feira Esquerda Livre” — definida pela Unisol como uma “feira colaborativa de empreendedores e artistas de esquerda, feita pela esquerda e para a esquerda”. O objetivo é melhorar a renda e qualidade de vida de 250 pessoas envolvidas em 30 empreendimentos na cidade de São Paulo.

ONG defende atuação e nega viés partidário

Procurada pelo Estadão, a Unisol afirmou estar aberta ao diálogo com todos os setores da sociedade que compartilhem os princípios da economia solidária, do cooperativismo e da defesa dos direitos humanos.

Sobre a abordagem política do curso, a entidade respondeu que o material reflete o contexto político do país. Em relação à “Feira Esquerda Livre”, informou que o projeto está em fase de prestação de contas.

“A Unisol é uma instituição séria, que há muitos anos atua no fortalecimento da economia solidária, do empreendedorismo e da geração de trabalho e renda”, declarou em nota.

O Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, por sua vez, confirmou que a Unisol teve origem no sindicato, mas negou qualquer vínculo administrativo, alegando que a ONG tem “total autonomia administrativa, política e financeira”.

Governo afirma legalidade nos repasses

Em nota, o Ministério dos Direitos Humanos destacou que os projetos da Unisol foram aprovados com base em critérios técnicos e legais. Já o Ministério do Trabalho reforçou que sua responsabilidade é garantir o cumprimento dos requisitos legais, afirmando que monitora continuamente a execução das ações.

“O Ministério do Trabalho e Emprego reitera seu compromisso com a transparência, a integridade na condução das parcerias e a adequada utilização dos recursos públicos”, declarou a pasta.