O Governo Federal deve formalizar na próxima semana um comitê ministerial para analisar e definir estratégias em resposta à tarifa de 50% que os Estados Unidos prometem aplicar a produtos brasileiros a partir de 1º de agosto. A expectativa é que o grupo reúna pelo menos cinco ministros, além de empresários dos setores mais impactados, como Embraer, siderurgia, metalurgia, suco de laranja, carnes e café.

Paralelamente, o decreto que regulamenta a Lei de Reciprocidade Econômica, sancionada pelo presidente Lula em abril como mecanismo de defesa diante das ameaças comerciais de Donald Trump , está em fase final de ajustes no Palácio do Planalto. O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Geraldo Alckmin , anunciou que o decreto será publicado até segunda-feira (14).

Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil
Palácio do Planalto

A regulamentação definirá prazos para consultas públicas, procedimentos para medidas alternativas e regras para adoção de ações provisórias, garantindo segurança jurídica aos operadores e parceiros internacionais, conforme explicou a advogada especialista em Direito Internacional Roberta Portella, da FGV.

O comitê, coordenado por Alckmin, contará ainda com os ministros da Casa Civil, Rui Costa; da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann; da Fazenda, Fernando Haddad; e das Relações Exteriores, Mauro Vieira. O grupo iniciará conversas com empresas americanas que atuam no Brasil, num esforço para alinhar estratégias diante do cenário tarifário.

Em nota conjunta, os presidentes do Senado e da Câmara defenderam a utilização da Lei de Reciprocidade para proteger a soberania nacional, caso as negociações com os EUA não avancem. O governo também estuda recorrer à Organização Mundial do Comércio (OMC) para buscar uma solução. As contramedidas brasileiras terão de respeitar as regras da OMC para evitar sanções ou efeitos adversos ao país.

Sem anúncio no momento