O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) revelou que se reuniria com embaixadores em um almoço, destacando que tem mais “contato com embaixadores do que o próprio ministro das Relações Exteriores”. A declaração foi feita durante uma coletiva de imprensa nesta sexta-feira (18), horas após ser alvo de mandados de busca e apreensão da Polícia Federal.
Após a operação, o ministro Alexandre de Moraes , do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou uma série de restrições, incluindo a proibição de Bolsonaro manter contato com embaixadores e diplomatas, medida que o obrigou a cancelar o encontro.
“Há um convite para alguns embaixadores para um almoço na semana que vem, mas não vou mais. Tenho mais contato com embaixadores do que o próprio ministro das Relações Exteriores”, afirmou o ex-presidente.
Bolsonaro também ressaltou que “nunca pretendeu sair do Brasil” e classificou as medidas impostas por Moraes como “supremas humilhações”. “Nunca pensei em sair do Brasil, nunca pensei em ir para embaixadas. As medidas cautelares são em função disso: não posso me aproximar de embaixadas, tenho horário para ficar na rua (...) Sair do Brasil é a coisa mais fácil que tem. Nada me coloca num plano golpista que não existiu, nem os outros. A suspeita é um exagero. Sou um ex-presidente da República, tenho 70 anos de idade. Suprema humilhação”, completou.
Entenda o caso
O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) foi alvo de mais uma operação da Polícia Federal (PF) na manhã desta sexta-feira (18), em Brasília, e agora está proibido de acessar redes sociais e obrigado a usar tornozeleira eletrônica. As medidas foram determinadas pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), no âmbito da petição sigilosa PET 14129, que investiga supostos crimes de coação no curso do processo, obstrução de Justiça e ataques à soberania nacional.
A decisão do STF também estabelece outras restrições ao ex-presidente, como recolhimento domiciliar no período noturno, proibição de contato com embaixadores e diplomatas, de aproximação de embaixadas e de comunicação com outros investigados. As medidas foram solicitadas pela Polícia Federal e tiveram aval da Procuradoria-Geral da República (PGR).