O ministro da Fazenda, Fernando Haddad , afirmou no sábado (19) que o Governo Federal não estuda, neste momento, adotar medidas mais rígidas de controle sobre a remessa de dividendos de empresas estrangeiras no Brasil. A declaração ocorre em meio às tensões geradas pela decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump , de impor tarifa de 50% sobre produtos brasileiros.

Por meio de nota oficial divulgada nas redes sociais, Haddad foi direto ao ponto: “a adoção de medidas mais rigorosas de controle sobre os dividendos não está em consideração”. A manifestação também descartou qualquer iniciativa imediata de retaliação contra os EUA.

O Ministro da Fazenda, Fernando Haddad, nega que o governo brasileiro esteja avaliando a adoção de medidas mais rigorosas de controle sobre os dividendos como forma de retaliação às taxas adotadas pelos Estados Unidos e reafirma que essa possibilidade não está em consideração. — Ministério da Fazenda (@MinFazenda) July 19, 2025

A resposta veio após a repercussão de reportagens que apontavam discussões no Governo Lula sobre possíveis formas de reação caso a tarifa anunciada por Trump não fosse revertida. Entre as alternativas ventiladas, estava a limitação da remessa de lucros e dividendos de empresas norte-americanas que operam no Brasil — hipótese agora rechaçada publicamente pela equipe econômica.

Tensão diplomática e cautela do governo brasileiro

Na semana anterior, o presidente Donald Trump anunciou a imposição da tarifa de 50% sobre importações brasileiras, afirmando tratar-se de uma decisão política. A medida, segundo ele, entraria em vigor no dia 1º de agosto. A declaração do republicano foi acompanhada de uma carta enviada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva , na qual critica duramente o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro, chamando-o de “vergonha internacional” e classificando-o como parte de uma “Caça às Bruxas”.

"Conheço o ex-presidente (Jair Bolsonaro)”, declarou Trump, em entrevista na Casa Branca. “Ele lutou muito pelo povo brasileiro… o que estão fazendo com ele é terrível.”

Diante do gesto hostil, o Palácio do Planalto enviou uma nova correspondência oficial à Casa Branca, assinada pelo vice-presidente Geraldo Alckmin e pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, reiterando a posição brasileira e cobrando uma resposta à manifestação diplomática enviada ainda em maio. Até agora, os EUA não responderam.

Sem anúncio no momento

Reciprocidade em análise

Embora o governo brasileiro tenha evitado adotar represálias diretas, o presidente Lula afirmou que o país “é soberano” e não aceitará imposições externas. Ele também sinalizou que o Brasil poderá acionar a recém-regulamentada Lei da Reciprocidade Econômica, que permite a adoção de medidas similares contra países que imponham sanções unilaterais.

“A partir daí, se não houver solução, nós vamos entrar com a reciprocidade já a partir de 1º de agosto, quando ele começa a taxar o Brasil”, disse Lula em entrevista.

O Palácio do Planalto também estuda levar a questão à Organização Mundial do Comércio (OMC), na tentativa de buscar apoio internacional e pressionar Washington a rever a decisão.