Uma investigação da Polícia Federal revelou um esquema criminoso que utilizava farmácias fantasmas em diversas regiões do Brasil para desviar milhões de reais do programa Farmácia Popular e lavar dinheiro do tráfico de drogas. O grupo criminoso usava recursos públicos para financiar a compra de cocaína na Bolívia e no Peru.
As primeiras pistas do esquema milionário surgiram após a apreensão de 191 quilos de drogas em Luziânia (GO). A carga seria recebida por Clayton Soares da Silva, dono de farmácias no Rio Grande do Sul e em Pernambuco. No celular do empresário, a PF encontrou documentos e mensagens que detalhavam o funcionamento da organização criminosa.
De acordo com as investigações, quase R$ 40 milhões foram desviados pelo grupo. “Essa organização criminosa utilizou o programa Farmácia Popular para fazer a lavagem desses recursos. Posteriormente, passou a usar esse programa social para investir no próprio tráfico de drogas”, afirmou José Roberto Peres, superintendente da PF no Distrito Federal. Diversas farmácias investigadas estavam registradas em lotes vazios.
A fraude também envolvia o uso de CPFs e endereços de pessoas inocentes. O dentista Gustavo, de Sumaré (SP), foi uma das vítimas. Ao acessar o Conecte SUS, percebeu que seu CPF havia sido usado para retirar 20 caixas de insulina. “Não sou diabético, nunca tive nenhum tipo de problema de saúde”, relatou.
A PF estima que cerca de 160 mil CPFs foram utilizados no esquema, além de 148 farmácias reais ou de fachada.