O deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) rebateu, nesta quarta-feira (23), declarações do governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), que o responsabilizou por atrapalhar a imagem da direita brasileira diante da tarifa de 50% imposta pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. Em resposta, o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro acusou Zema de pertencer a uma “turminha da elite financeira” e defendeu que a origem do problema está nas ações do Supremo Tribunal Federal (STF), e não em sua atuação.
A troca de farpas teve início após entrevista de Zema ao Estadão , publicada na última segunda-feira (21). Nela, o governador classificou como “equivocada” a postura de Eduardo Bolsonaro diante do presidente Donald Trump e afirmou que sua conduta “acabou causando um problema para a direita”. O comentário foi feito no contexto das críticas do governo dos EUA ao Judiciário brasileiro e da recente sanção comercial imposta por Trump, que aumentou em 50% as tarifas sobre produtos do Brasil.
Eduardo acusa STF e ironiza Zema
Em sua resposta, publicada nas redes sociais, Eduardo Bolsonaro sugeriu que a medida norte-americana foi motivada pelos “abusos” cometidos pelo STF, especialmente pelo ministro Alexandre de Moraes. O deputado ironizou, dizendo que parece ter sido ele próprio o responsável por ações controversas da Corte: “Deve ter sido eu quem mandou prender velhinhas de 70 anos pelo resto da vida na prisão. Deve ter sido eu quem mandou prender parlamentar por uma década, por um mero vídeo na internet”, escreveu no X (antigo Twitter). “Deve ter sido eu que desrespeitei todas as mais básicas liberdades individuais.”
Eduardo também mencionou decisões recentes do STF, como a anulação da suspensão do aumento do IOF, que classificou como uma interferência indevida sobre o Legislativo. Em tom inflamado, afirmou que a Corte “instaurou uma tirania de lunáticos no país”.
Na parte mais crítica de sua postagem, direcionou ataques pessoais a Zema, sugerindo que o governador só se preocupou com os excessos do STF agora que os impactos chegaram a seu grupo de interesse: “Enquanto são pessoas simples e comuns as vítimas da tirania, não há problema. Mas mexeu na sua turminha da elite financeira, daí temos o apocalipse para resolver. Ao que parece, estava tudo uma maravilha enquanto era senhora e mãe de família comum sendo destroçada pela tirania”, escreveu o parlamentar.
Zema pede retaliação pontual e critica Lula
Na mesma entrevista em que criticou Eduardo Bolsonaro, Zema também analisou o papel do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na crise comercial. Segundo o governador, o petista “errou” ao criticar publicamente os EUA durante a Cúpula do Brics e por se alinhar a países considerados “antiamericanos”, como Cuba e Irã. “Se o presidente Lula tem algum senão com relação aos Estados Unidos, deveria ter pedido uma audiência e ter ido lá falar. E não ficar falando para o mundo todo”, afirmou. “E, pior, ainda se aliando a países que claramente são antiamericanos, causando uma proximidade constrangedora.”
Zema também sugeriu que a Casa Branca deveria aplicar sanções apenas ao Governo Federal, e não ao país como um todo. Para ele, é possível retaliar “o governo, e não o povo brasileiro”, e propôs uma atuação diplomática mais eficaz para reverter a situação. Ele elogiou a postura do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), por buscar diálogo com o setor industrial e representantes norte-americanos.