Em meio à tensão entre os Estados Unidos e o Brasil, o país norte-americano tem sinalizado interesse nos minerais críticos e estratégicos (MCEs) brasileiros, em especial os chamados “terras raras”. Ao mesmo tempo, o governo de Goiás manifesta o desejo de deixar de ser apenas exportador de matéria-prima para se tornar um polo industrial desses minerais essenciais para a economia verde.
Segundo o governador de Goiás, Ronaldo Caiado , o estado é referência mundial na cadeia de terras raras e abriga uma das maiores jazidas do mundo desses minerais. “O Brasil não pode continuar repetindo o modelo colonial. Não aceitaremos ser apenas fornecedores de minério bruto enquanto importamos a tecnologia de ponta.
Queremos atrair empresas de alto nível, gerar empregos qualificados e transformar Goiás em referência mundial na cadeia de terras raras”, afirmou ele no último sábado (26), durante participação em um evento em São Paulo que reuniu empresários e líderes do setor financeiro.
Os elementos chamados de terras raras são um grupo de 17 minerais críticos usados em tecnologia de ponta, essenciais para o desenvolvimento de produtos como veículos elétricos, turbinas eólicas e equipamentos eletrônicos.
De acordo com Caiado, apesar de, atualmente, o Brasil apenas concentrar e exportar esses minerais para a China, o estado está preparado para negociar parcerias industriais e tem grande potencial de crescimento. “Uma mina nossa já produz mais de 5 mil toneladas — quantidade suficiente para abastecer toda a demanda da Europa ou dos EUA”, acrescentou.
O governador ainda defendeu a criação de um marco regulatório específico para garantir segurança jurídica e atrair investimentos em industrialização. Caiado tem feito visitas à Europa, aos Estados Unidos e à Ásia — onde esteve recentemente no Japão — em busca de investimentos.