O aumento das tarifas americanas sobre produtos brasileiros, anunciado por Donald Trump , acendeu um alerta sobre a fragilidade da presença do Brasil no comércio internacional. A decisão, que eleva as alíquotas para 50% a partir de 1º de agosto, já afeta setores exportadores do país, que vêm reduzindo a produção destinada aos Estados Unidos. Enquanto outras nações conseguiram negociar reduções, o Brasil foi a grande exceção.
O episódio escancara a necessidade de o país diversificar seus parceiros comerciais. Atualmente, o Brasil é uma das economias mais fechadas do mundo, com importações representando apenas 15,7% do seu PIB, um dos menores índices globais. A insistência em produzir quase tudo internamente, associada a barreiras tarifárias e regulatórias, limita a competitividade e dificulta o acesso a insumos e tecnologias de ponta.
Economistas afirmam que, para crescer, o Brasil precisa se abrir mais ao mercado externo. Mas há entraves estruturais: baixa produtividade, infraestrutura deficiente e um empresariado acostumado à proteção estatal. A resistência à competição externa se traduz em políticas que favorecem setores específicos, mantendo produtos caros e pouco inovadores no mercado interno.
Ao contrário de países asiáticos, que abriram suas economias nas últimas décadas e impulsionaram exportações por meio de inovação e educação, o Brasil seguiu um caminho oposto. A aposta em acordos regionais pouco dinâmicos, como o Mercosul, e a ausência de uma política industrial horizontal travam o avanço da indústria nacional.
O tarifaço de Trump pode até funcionar como um empurrão para acordos mais ambiciosos, como o entre Mercosul e União Europeia. No entanto, especialistas avaliam que, enquanto o governo federal mantiver uma visão protecionista, as chances de o país se integrar de forma consistente ao comércio global continuam distantes.