A poucos dias da entrada em vigor do tarifaço com novas tarifas americanas sobre produtos importados do Brasil, empresários e trabalhadores brasileiros já sentem os impactos da medida. Com a sobretaxa de 50% anunciada pelo presidente Donald Trump — que começará a valer na próxima sexta-feira (1º) —, importadores norte-americanos têm suspendido contratos de compra e indústrias de diferentes setores no Brasil se veem obrigadas a paralisar atividades, demitir funcionários ou conceder férias coletivas.

O setor madeireiro, que concentra cerca de 90% da sua capacidade instalada nos três estados do Sul, é um dos mais afetados. Na semana passada, a Sudati, produtora de compensados de madeira, anunciou o desligamento coletivo de 100 funcionários em duas fábricas, localizadas em Ventania e Telêmaco Borba, no Paraná, devido à insegurança financeira causada pela tarifa.

Em Santa Catarina, o grupo Ipumirim decidiu antecipar férias coletivas para 550 colaboradores. A empresa, que atua na fabricação de portas, kits de portas, molduras e no manejo de floresta própria, informou que aguarda uma definição nas negociações comerciais entre Brasil e Estados Unidos para decidir os próximos passos.

Em Minas Gerais, a indústria de ferro-gusa, insumo essencial na produção de aço, enfrenta uma de suas maiores crises recentes. Com o aumento de custos, empresas americanas passaram a suspender contratos de compra desde o anúncio da tarifa.

Nessa segunda-feira (28), a Fergubel, localizada em Matozinhos, na região metropolitana de Belo Horizonte, paralisou as atividades por 30 dias e colocou todos os cerca de 150 funcionários em férias coletivas. “A decisão foi tomada diante dos desafios enfrentados pelo setor siderúrgico, agravados por medidas como o recente tarifaço de 50% imposto pelos Estados Unidos, que vêm afetando diretamente a cadeia produtiva do ferro-gusa e impactando a competitividade das exportações brasileiras”, informou a empresa em comunicado.

Outras duas siderúrgicas mineiras — a Modulax e a CSS Siderúrgica Setelagoana — também recorreram às férias coletivas, por tempo indeterminado, como forma de evitar demissões imediatas diante da nova tarifa.

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