O ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), afirmou que Jair Bolsonaro (PL) foi o presidente “mais subserviente da história do Brasil”. Haddad disse ainda que, ao contrário do governo passado, o atual prepara um diálogo entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Donald Trump para tentar chegar a um acordo sobre o tarifaço de 50% que entra em vigor na próxima sexta-feira (1º).

Segundo o ministro, a preparação visa evitar uma conversa hostil entre os dois presidentes, reforçando que a estratégia do governo é adotar uma postura de soberania, diferente da que, segundo ele, foi praticada por Bolsonaro. “Esse açodamento, às vezes eu vejo a pressão da oposição de ‘sai correndo atrás’... O Bolsonaro tinha um comportamento muito subserviente, e isso não está à altura do Brasil. Ele foi o presidente mais subserviente da história do Brasil”, declarou Haddad, ao chegar ao ministério.

Foto: Facebook/Fernando Haddad
Ministro Fernando Haddad

De acordo com o ministro, uma “preparação protocolar” está sendo conduzida pela equipe do vice-presidente e ministro da Indústria e Comércio, Geraldo Alckmin (PSB), pelo chanceler Mauro Vieira (Relações Exteriores) e por senadores brasileiros em Washington, para viabilizar o diálogo direto entre Lula e Trump.

“Quando dois chefes de Estado vão conversar, existe uma preparação para que não seja algo que subordine um país ao outro. São dois países soberanos, não é uma coisa para sair correndo atrás. Temos que entender que o Brasil é um país grande, isso não é arrogância nenhuma. Nós nos damos bem com todo mundo”, afirmou Haddad.

O ministro disse ainda que não está preocupado com a data marcada para a entrada em vigor da tarifa dos Estados Unidos e reforçou que a medida não é direcionada apenas ao Brasil, destacando a história de mais de 200 anos de diplomacia entre os dois países.

Na segunda-feira (28), um plano de contingência para ajudar as empresas brasileiras que possam ser afetadas pela taxação foi apresentado a Lula por Haddad e Alckmin, mas os detalhes ainda dependem de decisão final do presidente.

Sem anúncio no momento

“São vários cenários que foram apresentados [a Lula]. Estamos confiantes de que preparamos um trabalho que permitirá ao Brasil superar esse momento, que não foi criado por nós. Quem vai decidir a escala, o montante, a oportunidade, a conveniência e a data é o presidente”, pontuou Haddad.