O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou, em seu discurso de abertura da Cúpula do Brics, a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), instituição vinculada à Organização das Nações Unidas (ONU), responsável por promover o uso consciente das tecnologias nucleares.
O chefe de Estado brasileiro afirmou que os trabalhos desenvolvidos pela AIEA vêm sendo usados como instrumento político e que isso afeta a “reputação de um órgão fundamental para a paz”.
A agência foi responsável pela publicação do relatório que denunciava testes nucleares secretos e o armazenamento de urânio enriquecido por parte do Irã. A instituição expressou “grande preocupação” diante da possibilidade de transformação do material em armas nucleares. Como resposta, as autoridades iranianas anunciaram a criação de um novo centro para o enriquecimento de urânio.
Após esse comunicado, Israel realizou um ataque considerado “preventivo” contra o Irã, o que resultou na guerra dos 12 dias. O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, afirmou ter se baseado nos relatórios da agência para justificar o ataque, que visava evitar um “holocausto nuclear”.
O presidente da República denunciou, em seu discurso, as “violações à integridade territorial do Irã” e voltou a defender o fim da ocupação israelense e a criação de um Estado palestino soberano.
Em análise do discurso, especialistas apontam alinhamento do presidente com o Irã e a Rússia, uma vez que os países fazem parte dos Brics.