A Polícia Federal (PF) indicou que o ex-presidente Jair Bolsonaro teve acesso antecipado ao conteúdo da defesa do general Mário Fernandes, um dos réus no processo que investiga a chamada "trama golpista". Fernandes está preso desde novembro do ano passado.

O indiciamento de Bolsonaro e de seu filho, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), está relacionado às sanções impostas pelos Estados Unidos e consta no relatório da PF obtido pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Durante as investigações, o celular do ex-presidente foi apreendido pelos agentes.

Foto: Valter Campanato/Agência Brasil
Jair Bolsonaro

Segundo o relatório, no aparelho de Bolsonaro foi encontrado um documento semelhante ao apresentado pelos advogados do general ao STF. O arquivo original protocolado na Corte e o encontrado no celular do ex-presidente possuem o mesmo número de páginas, e o protocolo da defesa ocorreu cerca de uma hora após a criação do documento no dispositivo de Bolsonaro.

"Tendo em vista a notória semelhança entre o conteúdo do arquivo encontrado no aparelho celular do ex-presidente com aquele protocolado nos autos da PET 12.100/DF pela defesa do réu Mário Fernandes, evidencia-se que Jair Messias Bolsonaro teve acesso prévio ao conteúdo relacionado à defesa do general Mário Fernandes", afirma o relatório.

De acordo com a investigação, Bolsonaro e os demais réus estão impedidos de manter contato ou trocar informações entre si, conforme medidas cautelares determinadas pelo juízo. A PF aponta que a submissão prévia de documentos relacionados à defesa do general revela a continuidade da "estrutura hierárquica e do vínculo subjetivo entre os investigados".

O relatório também menciona que, durante o governo Bolsonaro, Fernandes ocupou o cargo de secretário-executivo da Secretaria-Geral da Presidência da República. Ele teria elaborado um arquivo chamado Punhal Verde e Amarelo, com planejamento que incluía ações voltadas ao sequestro ou homicídio do ministro Alexandre de Moraes, do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva e do vice-presidente Geraldo Alckmin.

Sem anúncio no momento

Além disso, a PF afirma que Fernandes declarou que Bolsonaro teria dado aval para a ação golpista até 31 de dezembro de 2022, conforme áudio enviado a Mauro Cid, ex-ajudante de ordens do ex-presidente. Em depoimento recente, no entanto, o general negou ter a intenção de executar o plano, alegando que o arquivo era pessoal e apenas refletia um "pensamento digitalizado".

Defesa de Bolsonaro

Mais cedo, a defesa de Bolsonaro afirmou ter sido surpreendida pelo indiciamento e garantiu que prestará os esclarecimentos solicitados pelo ministro Alexandre de Moraes.